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Da janela do trem de Londres para Salisbury avista-se um enorme cavalo carvado na montanha, uma das tantas “figuras de giz” que existem no Reino Unido; postarei fotos em breve com mais informações. One of the many massive horses (chalk figures) of UK seen by the window, in the train from London to Salisbury. Soon more photos and information on the subject.

Minha viagem foi incrível, porém caótica. Como eu tinha casa em Londres, fiquei o tempo todo voltando para lá em vez de traçar uma rota e seguir sempre em frente. Mas não, fiquei indo e vindo como um peru tonto na véspera de Natal. Talvez por estar viajando sozinha pela primeira vez, ter a casa do Fernando como base me dava segurança. Além disso, carregar a mala para toda a parte seria… uma mala sem alça! Imagine ir ao Solstício com aquele trambolho. Deixava a mala em Londres e levava uma mochila para viagens curtas. As estações não tem guarda-volumes, por medo de atentados a bomba.  Além disso, a passagem ida e volta é mais barata.
A primeira viagem foi em 2005; não faz tanto tempo assim, mas a Internet evoluiu uma barbaridade nesse tempo. Não havia Google Maps, Wikipédia, Facebook, blogs ou Twitter. Nem celular acessava a Internet!
Recomendo sempre consultar na Wikipedia (em inglês) as cidades que se pretende visitar. Além das informações básicas, há sempre uma lista de links onde consta o site oficial das cidades, que facilita muito a reserva de acomodações.
Pessoalmente, gosto de me hospedar em albergues, pois são bons, baratos e você sempre pode fazer amigos. A palavra chave no Google é backpackers, mas adianto aqui alguns links.

My trip was amazing, but chaotic. As I had a “home” in London I kept going back there instead of going straight ahead. I went forth and back like a drunk turkey in Christmas’ Eve. Maybe I felt safe and warm with Fernando, that was my first trip all by myself. Besides, I had a suitcase to carry, it was such an encumbrance, imagine taking it to Summer Solstice! Lockers are not available in stations anymore, people are afraid of bomb attacks. And return tickets are cheaper. So I ‘d rather do with a backpack and shorter journeys, leaving the suitcase in London.
My first trip was in 2005, not so long ago, but Internet developed tremendously in the meantime. I had no Google, Wikipedia, Facebook, blogs or Twitter. Mobiles couldn’t access the web.
My advice is to search the cities you want to go in the english Wikipedia. There’s always plenty of basic information and links to the cities’ official sites, which helps a lot to book accomodation.
I’m fond of hostels because they’re fine and fair, and a good place to make friends.
The keyword in Google is backpack, but here you have some links:

www.backpackers.co.uk

www.hostels.com

www.bug.co.uk

Para ir de Londres a Salisbury, você pode pegar o trem em Waterloo Station ou o ônibus em Victoria Station. Ambos tem saídas frequentes, mas compare preços e duração da viagem. Às vezes o preço da passagem é o mesmo mas um trem faz muito mais paradas que o de outro horário,  podendo a mesma viagem levar uma ou três horas. A quantidade de baldeações também faz muita diferença, especialmente se você carrega muito peso.

To go from London to Salisbury you can take a train in Waterloo Station or a coach in Victoria Station. Both provide frequent departures; you want to compare fares and duration. Sometimes the fare is the same but one train stops many times more than the next, so your trip can be twice or three times longer. Mind how many times you’ll have to transship, specially if you carry heavy bags.

Horários e preços de ônibus de Londres para Salisbury, partindo de Victoria Station

Trem de Londres para Salisbury: mais confortável, porém mais caro / From London to Salisbury by train: more comfortable, but more expensive

De Londres para Glastonbury não há trem, apenas ônibus com baldeação. Há quem vá de avião até Bristol, mas de lá terá que embarcar num ônibus. Saem vôos dos aeroportos de Heathrow e Gatwick.

From London to Glastonbury there’s no train, only coaches and buses. You can fly to Bristol but from there you can’t avoid the bus. Flights depart from Heathrow and Gatwick airports.

Londres/Glasto de ônibus
London/ Glasto by coach and bus

Viagem mista: London/Glasto de trem e ônibus, via Bristol
London/Glasto by train and bus changing in Bristol

Outra possibilidade de viagem mista: London/ Glasto Via Taunton, menos baldeações
Another possibility, through Taunton, you only change once

London/ Glasto through Bath

Analisando todos os trajetos, caso você queira refazer meus passos, partindo de Londres sugiro ir primeiro a Glastonbury. De Glastonbury pegue o ônibus para Bath, conforme linha acima. De Bath siga para Salisbury, para visitar Stonehenge. Salisbury é ponto de baldeação para: Cardiff, no País de Gales;Winchester, Avebury (a 37 km de Stonehenge) e outros lugares aonde chegaremos neste blog, como Tintagel, na Cornualha.

If you want to follow my steps, from London you better go straight to Glastonbury. From there take the bus to Bath. From Bath go to Salisbury, to visit Stonehenge. Salisbury is the place to change to Cardiff in Wales; Winchester, Avebury ( about 22 miles from Stonehenge) and many other places we’ll be arriving soon in this blog, as Tintagel in Cornwall. I got  these coach and train routes in this useful site for planning trips in UK. You’ll see below  the options to go from Salisbury to Glastonbury.

Estas viagens mistas obtive num site muito útil para planejar uma viagem no Reino Unido:

www.travelinesw.com

Aqui as opções para ir de Salisbury a Glastonbury:

Salisbury/ Glasto option 1

Salisbury/ Glasto option 2

Salisbury/ Glasto option 3

Para mais informações sobre trens/ More  train information:

www.nationalrail.co.uk

www.southwesttrains.co.uk

www.mytrainticket.co.uk

www.crosscountrytrains.co.uk

Ônibus / Coach:

www.nationalexpress.com

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Os Teixos Guardiães no jardim do Poço do Cálice / Guardian Yews in Chalice Well garden

O teixo é uma árvore de crescimento lento e extraordinária longevidade. No cemitério de Brabourne em Kent, na Inglaterra, existe um cuja idade estimada é de mais de 3.000 anos. Árvore sagrada para os celtas, simboliza a imortalidade e a resistência. Suas folhas se mantém sempre verdes, mesmo durante o inverno. Na mitologia nórdica, a Yggdrasil (árvore gigantesca cujas raízes sustentavam e mantinham coesa a estrutura do planeta) era um teixo. Sua madeira resistente e flexível era usada para confecção de arcos e flechas. Sobre sua casca eram gravadas runas. Embora seja uma das mais antigas espécies do mundo, o teixo não é encontrado no Brasil.
The yew is a extraordinarily long-lived and slow growing tree. In Brabourne Cemetery, Kent, England, there’s one whose estimated age surpasses 3.000 years. A sacred tree for the celts, the yew symbolizes imortality and endurance. Its leaves are always green, even in wintertime. In Norse mythology, the Yggdrasil (giant tree whose roots support and uphold our planet’s structure) was a Yew. Of its wood, tough and flexible, bows and arrows were made. Its skin was suitable to engrave runes. Although the yew is one of the oldest species in the world, it can’t be found in Brazil.

Eihwaz, a runa do teixo. / The yew rune

Eihwaz nos remete à imagem de uma árvore secular, cujas raízes estão bem plantadas e, em sua resistência, já sofreu os abalos mais diversos provocados por tempestades, ventanias, nevascas, etc. No entanto permanece estável e segura, emanando vitalidade. A runa indica fortalecimento e estabilidade conquistados por atitudes de confiança e persistência, e nos aconselha a estarmos atentos, mesmo num momento de grande firmeza e segurança, para que tenhamos a necessária flexibilidade a fim de que nossas atitudes não se tornem rígidas demais.

Eihwaz recalls a centennial tree with well planted roots, which, in its endurance, has suffered storms, winds, snow, and keeps still and safe, pouring vitality. This rune indicates strengthening and stability won by trusty and persistent behavior. Its advice is to be alert, even in times of safety, to keep flexibility so our attitude doesn’t become too harsh.

Lindas flores / Gourgeous flowers

Na loja de souvenirs do Chalice Well, não fui tão bem recebida. Depois de visitar o jardim, entrei ali e estava feliz fuçando nos livros, quando o funcionário muito mal-humorado informou que iria fechar a loja em cinco minutos. E ficou me olhando feio. Fiquei chocada, disse que não era nada gentil receber um cliente daquela forma. Respondeu apenas que era pago para ficar ali até às cinco da tarde, portanto se eu quisesse comprar algo, que fizesse isso logo. Peguei um livro sobre mitologia celta que estava em promoção e uma corrente de prata com o símbolo da minha data de nascimento.

In the Chalice Well Shop I was not so welcome. After hours wandering in the gardens, I entered the shop and was so happy fussing the books when the salesclerk, in a dark mood, told me the store was closing in five minutes. And kept on staring at me with murder in his eyes. I expressed my shock saying that was not very polite of him to talk to a customer that way. His remark was that he got paid for staying there until 5 o’clock, so if I’ was to buy something I should do it at once. I grabbed a book on celt mythology on sale, a silver chain with my birthday’s date symbol and left pissed off.

Ingleses são loucos por jardinagem. / English people are natural born gardeners

Só fiz a compra mesmo porque amo livros e o símbolo tinha tudo a ver comigo: Magical Abilities. Comecei a acreditar que tinha mesmo alguma habilidade mágica. Saí de lá revendo o filme da minha vida e percebi que, de fato, era capaz de fazer as coisas acontecerem. Até esqueci a estupidez do funcionário, que, apesar de viver e trabalhar num lugar sagrado, era um pobre de espírito, coitado.
I only bought the stuff because I love books and the symbol touched me deep inside. It was Magical Abilities. I was about to believe I had some indeed. The movie of my life unwinded in my mind and I realized I could actually make things happen. I soon forgot the clerk’s rudeness and pitied him for being such a miserable soul despite living and working in a sacred place.


Quanto à habilidade mágica, agora sei que tudo tem a ver com o esforço que se faz. Mesmo os druidas precisavam colher as ervas na hora certa, na Lua certa, de acordo com sua finalidade. Mas não nasceram sabendo! Seu conhecimento advinha de uma vida inteira estudando arduamente. Quer dizer, nada vem por acaso. Você tem de dar a partida e engrenar a primeira, em outras palavras, botar o universo em andamento para atingir sua meta. E quando o movimento se estabelece ainda precisamos mantê-lo.
About magical abilities, now I’m sure it’s all about efforts. The Druids would harvest herbs in an accurate time, in the proper moon, according to their purpose. But they were not born with this knowledge; it was the result of a lifetime of hard study. What I mean is, nothing comes random, for free. You must start the engine, set the universe moving to reach your goal. And once the movement is established, still you must keep it rolling.


Viajei buscando o Arthur dentro de mim – aquele comandante que não desistia, mesmo parecendo derrotado, numericamente inferior ao inimigo, conforme relatos de tantas batalhas, acabava vencendo por achar uma estratégia que o levaria à vitória: a inteligência suplantando a força bruta.

My journey aimed at the Arthur inside me. That commander who wouldn’t give up; against all odds, outnumbered by the enemy – according to tales of countless battles- he would find his way to victory through strategy. Intelligence overcoming raw strenght.

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The Chalice Well Trust
Chilkwell Street, Glastonbury, Somerset – BA6 8DD – phone: 01458 831154

Existem evidências arqueológicas de que o poço vem sendo usado há pelo menos dois séculos. A água jorra abundante, cerca de noventa e cinco mil litros por dia, mesmo em épocas de seca.
Nas mitologias galesa e irlandesa, os poços são portais para o mundo dos espíritos, e o desenho da tampa do poço (Vesica Piscis) representa justamente a interseção entre os dois mundos, cortados ao meio por uma lança ou espada associada à Excalibur, a legendária espada do rei Arthur.

Archaeological evidence suggests that the well has been in almost constant use for at least two thousand years. Water issues from the spring at a rate of 25,000 gallons per day and has never failed, even during drought. Wells often feature in Welsh and Irish mitology as gateways to the spirit world. In the well lid design, known as Vesica Piscis, the overlapping of the inner and outer worlds is represented by two interlocking circles, bisected by a spear or sword, a possible reference to Excalibur, King Arthur’s legendary sword.

O lindo jardim, rumo ao poço / Inside the beautiful garden, heading to the well itself

Para os cristãos, dentro deste poço foi escondido o Graal, o cálice que teria recolhido o sangue de Cristo durante a crucificação. Isso, segundo a lenda, foi feito por José de Arimateia, um discípulo que fugiu para a Britânia de barco, dirigindo-se a Glastonbury.

Christians believe that in this well is hidden the Holy Grail, the chalice in which drops of Jesus’ blood was collected during crucifixion by Joseph of Arimathea, one of his disciples who fled by boat to Britain, heading for Glastonbury.

Poço do Cálice / Chalice Well

Vesica Piscis

O desenho de folhagens em torno do Vesica Piscis na tampa do poço faz referência ao Espinheiro Sagrado que teria brotado no exato local onde José fincou seu cajado, em Wearyhall Hill. Esta árvore era incomum por florir duas vezes por ano; a floração no inverno era considerada milagrosa. Embora sagrada, a árvore acabou morrendo. Antes, porém, os monges tiraram mudas e algumas estão lá até hoje.

Foliage around the Vesica Piscis represents the Glastonbury Holy Thorn, a tree supposed to have grown in the spot where Joseph thrust his staff, Wearyhall Hill. The thorn flowered twice in a year, what is unusual. Its flowering in mild weather just past midwinter was accounted miraculous. Despite its holiness, the tree died. However, many cuttings were taken from it by the monks and still live in Glastonbury.

Um pequeno lago dentro do jardim foi construído na forma do Vesica Piscis / A Vesica Piscis shaped pool inside the garden

Espinheiro em Wearyhall Hill, ao fundo o Tor / Thorn tree in Wearyhall Hill overlooking the city, the Tor in the background

Todo ano um galho do espinheiro de Glastonbury é enviado à Rainha no Natal. Isto começou no tempo da Rainha Anne.
Every year, a branch of the Glastonbury thorn is sent to the Queen at Christmas. This started in Queen Anne’s reign.

Espinheiro no jardim do Chalice Well, onde as pessoas amarram seus desejos por escrito / People tie their written wishes in the Thorn trees inside the Chalice Well garden

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Pessoas sobem e descem o Tor o tempo todo. Fui lá todos os dias e o movimento é constante.
Por fim me enturmei com uns malucos que tinham sacos de dormir, bebida e disposição para compartilhar, enquanto o Sol fingia se pôr e o vento ficava mais frio, digamos enregelante. Acabei bem embrulhada no saco de dormir que um dos caras teve a gentileza de emprestar ao me ver tremendo da cabeça aos pés. Eu podia morrer de frio, mas não ia arredar o pé dali. O Sol, sem pressa, brincava de se esconder com a linha do horizonte. Não me lembro de onde eles eram nem seus nomes, porém jamais esquecerei que um dia assistimos ao anoitecer em Glastonbury juntos.

People go up and down the Tor all the time. I’ve been there everyday and confirmed there’s a constant flow. Me, at last, made friends with some dudes who had sleeping bags, booze and will to share it all, while the sun pretended to set and the wind chilled, turning to freezing. In a few minutes I was shivering and one of the guys was so kind as to lend me his sleeping bag, where I wrapped myself up. I‘d rather freeze to death than leave that place. The sun wasn’t hurried, playing hide-and-seek with the skyline. I can’t remember where those people were from, neither their names, but I’ll never forget that we once watched together nightfall over Glastonbury.

Músicos inspirados faziam suas performances, e em poucos minutos uma Lua cor de laranja começou a acordar no horizonte do outro lado do Tor, onde um barbudo grandalhão fazia malabares com pauzinhos, barbantes e bolas de fogo nas pontas. Para meu desespero, a bateria da câmera tinha arriado e, ao saber que eu era brasileira, alguém me passou às mãos um pandeiro, insistindo para que eu tocasse um samba! Não tenho o menor jeito para música, muito menos percussão, sou totalmente desprovida de ritmo. Após surrar de forma desconexa o instrumento por alguns instantes e ver a expressão atônita das pessoas, o devolvi ao dono, e imediatamente puxei conversa sobre outro assunto.

Inspired musicians were performing and soon an orange moon started raising on the opposite side of the hill. A big bearded man appeared juggling with fireballs in sticks. For my complete despair, camera batteries went dead. And someone heard that I was brazilian and gave me a tambourine, insisting that I should play samba. I’m definitely destituted of musical abilities and lack all rhytm. After striking clumsily the instrument for instants and realizing the shock in everybody’s faces, I returned it to its owner and changed subject promptly.

Tive de descer, embora quisesse ficar para sempre. No dia seguinte, iria fazer faxina no ashram, mas antes deveria comparecer a uma hora de meditação e orações. Era a regra. No primeiro dia achei ótimo acordar às sete da manhã ouvindo cânticos celestiais, achei que eram as pessoas cantando mas era apenas um CD. No terceiro dia deixei de comparecer, felizmente ninguém reclamou.

At last I had to leave, though I wished staying forever. Next day my cleaning work in the ashram should start, after one hour of meditation and prayer everyone was supposed to attend. Those were the rules, and next morning it was not so bad to wake up at seven, a heavenly song filled the air, I thought for a while that people were singing, but it was just a CD. I eventually ceased turning up at the meditation, fortunately no one noticed.

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Por do sol no alto do monte Tor / Sunset up the Tor

A palavra Tor, de origem celta, significa “monte” ou ainda “monte em forma de cone”. Fica a cento e cinquenta metros acima do nível do mar e, lá de cima é fácil visualizar como o lugar parecia uma ilha, especialmente no inverno, quando os campos inundavam.
“Tor” is a word of celtic origin meaning “hill taper shaped” or just “hill”. It stands 518 feet above the sea level, and up there it’s easy to see why the place looked like an island specially in winter when the fields got flooded.

Vista do alto do tor/ View from the Tor

Enquanto meus pés subiam aquela escadaria, rumo à Torre de Saint Michael no alto, fiquei muito emocionada. Faltando poucos degraus para chegar ao topo, caí de joelhos – assim, dramaticamente mesmo – e as lágrimas começaram a rolar. Fiquei horas ali, ou talvez uns dez minutos, como um saco de batatas no chão, enquanto transbordava a emoção da meta atingida. O que deve sentir um atleta ao vencer os cem metros rasos nas Olimpíadas. Uma semana antes, eu estava enterrada em Resende, uma das cidade mais feias que já vi e naquele momento, estava em solo sagrado, em Avalon, depois de presenciar o Solstício de Verão em Stonehenge. Era demais para meu coração!

I was overwhelmed with emotion while my feet followed those steps towards St. Michael’s Tower on the top and, almost there, fell down on my knees, tears rolling down my face. Dramatically, yes. Like a sack of potatoes I remained for hours, or ten minutes, time enough for my feelings to overflow. I felt like an olympic athlete winning the 100 metre dash. One week before I was buried alive in Resende, one of the ugliest city I’ve ever seen, and now found myself in sacred land. In Avalon, after having witnessed the summer Solstice Celebration in Stonehenge. It was too much for my heart.

Dentro da torre de Saint Michael / Saint Michael’s Tower from inside

Interior da torre sem telhado de Saint Michael./ Inside roofless Saint Michael’s Tower

Placa com a história resumida da torre / Plate with a brief story of the tower

Só me ergui depois de agradecer muito, mas muito mesmo, às divindades que me guiavam e protegiam, e também a mim mesma, que consegui cavar meu caminho entre os hemisférios. Na verdade, acho que foi o primeiro contato com o rei Arthur dentro de mim. É um ícone masculino, assim como meu signo, Sagitário. Levantei-me e subi os últimos degraus.

I got up after plenty of prayers and thanksgiving to the gods who guided and protected me, and rejoicing myself, after all I had crossed between the hemispheres all by myself. Maybe that was my first contact with my own Arthur portion. It’s a male archetype, just like Saggitarius, my astrological sign. I got up and climbed the last steps.

Músicos prestando homenagem ao sol / Musicians paying homage to the sun

Sobrevoando o Tor / Hang gliding above the Tor

Sei que em todo hospício tem um Napoleão, uma Cleópatra, um John Lennon e muitos outros, mas eu era Morgana. Pena não ter ficado uma lembrança mais detalhada dessa vida passada: teria levado um pulôver, pois lá em cima bate o vento gelado do norte, e eu de vestidinho, jaqueta e sandália logo começaria a congelar. No entanto, o Sol ainda estava alto no céu, num dos dias mais longos do verão, quando anoitece muito tarde.

I’m aware that in every asylum there’s a Napoleon, a Cleopatra, a John Lennon, but I swear I was Morgan. Unfortunately my memories of this past life were not so acute, otherwise I ‘d have taken a heavier coat. Up the Tor a cold wind blows from the North and I was wearing a light dress, a light jacket and sandals. Soon it would be freezing cold. But for now, the sun was high in the sky, in one of the longest days of summer, when nights come very late.

Overlooking England’s green and pleasant land

Magic sunset

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Stonehenge e a pedra do sacrifício, que dista um tanto do círculo/
Stonehenge with the Sacrifice Stone, at a certain distance from the circle

Havia refletores iluminando as pedras gigantescas, que pesam mais de cinquenta toneladas. Até hoje não se sabe como foram transportadas até ali e quem o fez. Na região não existe aquele tipo de rocha. A lua estava gorda, um queijo de Minas no céu. Havia banheiros e barracas vendendo comida e bebida, porém muito longe, por isso optei por ignorar a fome. Tinha levado uma mochila com uma muda de roupa, pulôveres que acabei vestindo um por cima do outro e uma manta, pois a noite foi fria apesar do calor humano. E minha câmera, de 4.0 megapixels, uma Canon PowerShot, amadora mas para a época isso era quase alta resolução! Por ter corrido na frente da multidão, tive o tempo justo de dar uma circulada em torno das pedras, pedir a uma senhora que tirasse uma foto minha no local (que ficou fora de foco) e subir na pedra que me pareceu melhor para uma visão panorâmica. A multidão tomou conta: uns fantasiados de anjo, rastafáris, gente comum vestindo jeans e camiseta, músicos com instrumentos normais e inusitados, malucos de todas as nacionalidades. Na minha pedra subiram umas meninas da Ilha de Mann, que também quero visitar na próxima oportunidade. No centro do círculo de pedras plantaram-se músicos com tambores, flautas, cordas, percussão, tocando alguma coisa que todo mundo tentava acompanhar. Ooooh, eeeeh, aaah, yeeeaaah, numa espécie de geração espontânea de mantras. Isso rolou a madrugada inteira.

Músico bem à vontade/ Musician comfortably sky-clad

 

Outros músicos/ Other musicians

De vez em quando se fazia um momento de silêncio, e num deles tive a idéia de soltar aquele grito de guerra de tribos indígenas batendo com a mão na boca: ohohohoh. Ninguém acompanhou, porque ninguém nunca tinha ouvido aquilo. As meninas de Mann olharam com admiração: “Cool!” Expliquei que era coisa de índio brasileiro, ensinei como fazia, elas acharam o máximo, imitaram, no fim parecíamos da mesma tribo. A madrugada passou depressa e logo o céu começou a clarear. Minha experiência mística ia começar.
Primeiro, do horizonte vieram as brumas, lentamente fazendo o resto do mundo desaparecer.


Do meio delas, surgiu uma procissão de druidas, com vestes brancas, carregando tochas e cajados. Cantando deram a volta ao círculo de pedras, uma, duas vezes, então se distanciaram até desaparecer. Não se misturaram à multidão. De longe, não entendi o que entoavam, nem minha lente os captou. Tive vontade de sair correndo atrás deles, mas não tinha certeza se eram reais. E todos queriam subir nas pedras.
Se eu descesse, não conseguiria voltar àquele lugar, quase em frente aonde o sol ia nascer. Optei por ficar ali e foi a escolha certa. As brumas começaram a se dissolver como os druidas, a planície foi reaparecendo em camadas, aos poucos, e no céu se materializaram dois parapentes sobrevoando Stonehenge em círculos quando surgiu o primeiro raio de sol. Foi pura magia! Um raio de luz quente rasgando o mundo cinza e vinte mil pessoas aplaudindo, cantando, se abraçando. Imaginei o que estavam vendo aqueles caras voando ali em cima, iluminados pelo sol de verão que nasceu lindo, laranja. Segundo as meninas, no ano anterior chovera a noite toda e o Solstício tinha sido tão nublado que nem deu para ver os primeiros raios, apenas uma luz difusa.

Primeiro raio de sol / first ray of sun

Na Inglaterra, mesmo no verão, o sol não era uma constante como para nós brasileiros. Tive o privilégio de assistir seu despertar em uma manhã azul clara, transparente, erguendo-se sobre as brumas de Wiltshire, trazendo a esperança do futuro – e no presente. Mentalizei aquela luz entrando pela pele, purificando meu sangue, correndo por dentro das veias, renovando corpo e alma. Parece meio bobo, coisa de CD de meditação, mas foi o que me ocorreu na hora e de fato me senti renascendo, como os antigos faziam. A BBC estava lá filmando e pude me achar depois em duas fotos no site deles. Apenas um átomo no meio da multidão, mas era eu. Baixei as fotos e as mandei por e-mail para o meu filho como prova de que estive lá.

Segundo os jornais, havia 20.000 pessoas no Solstício de Verão de 2005 em Stonehenge, Wiltshire. / According to the newspapers, there were 20.000 people in the Summer Solstice of 2005, in Stonehenge, Wiltshire.


Nessa celebração, descobri os ageless, nome que dei para pessoas que podiam ter qualquer idade: 40, 80 ou 200 anos. Ali estavam todos vestidos com roupas de época, tocando instrumentos que eu nunca tinha visto, cantando num idioma desconhecido – acho que gaélico. Todo mundo começou a dançar. Uma das ageless discursou por vinte minutos, mas não entendi nada. Apareceu um violinista louro igual ao elfo Legolas de O Senhor dos Anéis, de J. R. Tolkien. Fiquei bastante tempo dançando sob os primeiros raios de sol. Descasquei-me dos agasalhos, que guardei na mochila e saí andando, observando as pessoas absortas em suas viagens.

Ageless woman

Shiny happy people

 

Duas mulheres vestidas de druidas, com coroas de folhas, cajado e tudo, me deram a maior bronca porque corri atrás delas uns quinze minutos batendo fotos de vários ângulos.
Uma falava ao celular e parecia muito aborrecida. Virou-se e, depois de dizer algo que não entendi sobre seu casamento, perguntou rispidamente:
– Are you happy?
– Yes, I’m very happy! – respondi, porque estava mesmo radiante.
Nem percebi que talvez ela estivesse com algum problema em seu casamento, pois falava muito rápido, eu não prestara atenção em sua conversa ao telefone. Felizmente, ela não discutiu mais, apenas empinou o nariz, grunhiu, virou-se e saiu da minha vida. Ficou só nas fotos.

Eu chegando em Stonehenge, cerca de nove da noite, 20 de junho de 2005 / Me arriving in Stonehenge, around 9 p.m., June 20th 2005

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