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O objetivo desta foto é mostrar o tamanho da área de apoio, comparada com o círculo de pedras em si, no fundo à esquerda. Aqui ficavam ambulâncias, posto policial e de atendimento médico, imprensa, caminhões de equipamentos tipo iluminação, banheiros químicos etc.
This picture is to show how big is the support area, compared to the stone circle itself (in the background to the left). Here were ambulances, medical assistance, police, press, chemical toilets and tons of trucks of stuff, lights for example.

Atendendo a pedidos, aqui vão fotos batidas 5 anos depois das anteriores, no Solsticio de Verão de 2010. Desta vez, com uma câmera decente e duas boas lentes, mais muitos giga de memória, pude registrar mais coisas. Me pareceu ter mais gente também, embora a BBC tenha contabilizado 20.000 pessoas, o mesmo número de 2005. Segundo a reportagem, foi o ano mais tranquilo da celebração. Apenas 34 ocorrências de pessoas detidas por uso/porte de drogas leves e meros bebuns.Devo acrescentar que um destes era amigo meu, mas foi rapidamente liberado sem maiores traumas, só o susto.

Granting my readers’ wishes, I publish photos taken 5 years after the previous posted. This time I had a proper camera, two good lenses and tons of memory, so I was able to register more stuff. I believe there were more people, although the BBC estimated 20.000 revellers, just like in 2005. According to the press, this was one of the safest issue of the celebration in many years. Only 34 people were arrested for minor drug offences. I should add that one of these was a friend of mine, but he was quickly released with no injuries but a strong fright.

As pessoas estavam muito mais produzidas. Múltiplas tribos, e quantidade de grupos espirituais distintos em perfeita harmonia.
Most people were dressed up to the event. Assorted folk and distinguished spiritual groups in perfect harmony.

Indefectível foto em frente ao ônibus, que não é mais gratuito; custava 8 libras ida e volta. My photo in front of the bus, which is not free anymore: 8 pounds (return).

Este ano apareceu a estátua gigante de um ídolo feio pra caramba, na certa trazido por algum grupo espiritual, mas ninguém soube me dizer do que se tratava.
There was this massive disgusting idol, probably brought by some spiritual group, but nobody could tell me what it was about.

Estas fotos foram batidas entre dez e meia/ onze da noite. A lua quase cheia já se apresentava, seguiu-se o por do sol. Aguardem o próximo post, com as melhores fotos, este já está travando.
These photos were taken around 10:30 / 11 p.m. The almost full moon was already there, followed by sunset. Wait for the next post, with the best photos, this one is already heavy.


Para tornar este blog mais interessante, me diga se você prefere que o próximo post prossiga o relato da viagem ou se antes disso devo publicar as fotos do Solsticio de Verão de 2010 para comparar. Não esqueça de preencher seu nome, e-mail e website, se tiver. Obrigada pela participação!

To make this blog more interesting, tell me if you’d like the next post to resume the narrative of the journey (option 1 in the drop down box below) or if I should, before that, publish the photos of the Summer Solstice 2010 to compare (option 2). Please don’t forget to fill in your name, e-mail and website in the form below.Thanks for your help!

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Atenção!


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Salisbury Cathedral

Eu ainda cantava “We all came from the Goddess and to the Goddess we’ll return”, agradecendo às divindades, no coração de Stonehenge. Só fui embora horas depois porque estava desesperada para ir ao banheiro. Fui me afastando do monumento, achando que iria encontrar uma moita no caminho, mas só tinha grama e um intenso tráfego de gente indo e voltando. Stonehenge fica no meio de um descampado. Nem cogitei usar um banheiro químico dos tantos instalados, achei que estaria imundo como os daqui no carnaval. Deveria ter testado, mas ainda não estava acostumada à realidade desses países onde não se vê lixo algum no chão. Uma japonesa passou por mim e disse que eu devia ficar para me abastecer com a energia dos monólitos, mas minha bexiga, mais que abastecida, estava abarrotada, quase transbordando. Assim, embarquei num dos ônibus gratuitos de volta a Salisbury e fui trocando as pernas até um restaurante que estava justamente abrindo as portas. No banheiro de mármore reluzente, lavei o rosto, as mãos e me penteei, depois de levar um susto com a imagem refletida no espelho. Desgrenhada, mas feliz da vida.
Andei pela cidade fotografando, cheguei à enorme catedral, principal atração turística da cidade. Era preciso pagar para visitar o interior e o tesouro. Minhas preciosas libras teriam de ser o ingresso ou o almoço. Faminta, optei pelo segundo, um sanduíche frio desses prontos e embalados que lá vendem em quase todas as rodoviárias e são bons!

Incluo neste post algumas fotos de Salisbury.

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I was still singing “We all came from the Goddess and to the Goddess we’ll return”, thanking all deities, in the heart of Stonehenge. I only left hours later when a desperate need of a lavatory took  hold of me, but Stonehenge stands in a massive plane covered only by grass and there was a heavy traffic of people coming and going. I never considered using one of the many chemical toilets believing it should be as filthy as the ones installed in Rio de Janeiro’s streets after a Carnival night. I should have tried it, but wasn’t still used to the reality of that country inhabited by civilized people who don’t throw a piece of paper in the street. A japanese woman who was passing by me told me to stay to charge myself of the energy that poured from the stones, but my bladder was more than loaded, almost overflowing indeed. So I stepped into one of the free coaches back to Salisbury, where I found an open restaurant, with a beautiful restroom of shining marble where I washed my hands and combed my hair. My own image in the mirror was a shock, disheveled and dirty but oh, so happy. I walked the streets taking a few pictures with the little memory and charge left in the camera, and entered the massive Salisbury Cathedral, where one can walk the gardens and cloister but to take the “Tower Tour” in the interior the charge is 10 pounds. I had this exact amount and, starving, chose buying a sandwich for lunch instead. In every bus station there are very good ones, cold, packed and ready to go.

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Este dragão é o mascote da cidade. /This dragon is the city’s symbol


Solstício é um acontecimento astronômico que ocorre duas vezes por ano, quando o sol atinge sua elevação máxima no céu em relação ao Polo Norte ou Sul. A palavra slstício vem do latim sol (sol) e sistere (parar), pois é o momento em que o movimento do sol em sua rota, visto da Terra, parece parar antes de inverter a direção (de um polo a outro). O dia do Solstício é o mais longo do ano no verão e o mais curto no inverno, pois o tempo entre o nascente e o poente é o máximo, ou mínimo, dependendo do hemisfério, pois as estações do ano são opostas no Norte e no Sul. Assim, o solstício de verão no Hemisfério Norte é o de inverno no Hemisfério Sul e vice-versa.
Já o Equinócio , cujo nome vem do latim aequus (igual) e nox (noite) ,ocorre quando o Sol leva o mesmo tempo entre o nascente e o poente, assim o dia e a noite tem aproximadamente a mesma duração.
Solstícios e Equinócios tem relação com as estações do ano, geralmente determinando seu momento central. Na Inglaterra o período próximo ao Solstício de verão é chamado Midsummer (meio do verão), e Midsummer’s Day é 24 de junho, três dias após o solstício propriamente dito. Muitas culturas celebram os solstícios de inverno, de verão, os equinócios e os momentos entre os mesmos, originando diversas festas relacionados a essas datas. Em tempos ancestrais, a rotina dos povos (plantação, colheita, etc) era determinada pelas estações do ano. Os astros, a terra, os rios, as árvores, enfim todos os elementos da natureza eram considerados divindades e devidamente reverenciados nesses festivais.
À medida que o Cristianismo avançou sobre o mundo, essas celebrações foram repaginadas resultando em festividades que misturaram elementos das tradições cristãs e pagãs.

A solstice is an astronomical event that happens twice each year when the sun reaches its highest position in the sky as seen from the North or South Pole. The word solstice is derived from the Latin sol (sun) and sistere (to stand still), because at the solstices, the sun stands still in declination; that is, the seasonal movement of the sun’s path (as seen from Earth) comes to a stop before reversing direction. The day of the solstice is either the “longest day of the year” (in summer) or the “shortest day of the year” (in winter)  because the length of time between sunrise and sunset on that day is the yearly maximum or minimum for that place.
On a day of the equinox, the center of the sun spends a roughly equal amount of time above and below the horizon, night and day being of roughly the same length. The word equinox derives from the Latin words aequus (equal) and nox (night).
The solstices, together with the equinoxes, are connected with the seasons. Mostly they are considered to be centre points. In England, for example, the period around the northern solstice is known as Midsummer, and Midsummer’s Day is 24 June, about three days after the solstice itself. Many cultures celebrate the winter and summer solstices, the equinoxes, and the midpoints between them, leading to various holidays arising around these events. In ancient times, the seasons determined people’s routines ( to sow, to harvest, etc). The earth, the rivers, the stars, the trees, every nature element was regarded as sacred, and properly paid homage in these festivals. As Christianity spread over pagan areas, ancient celebrations came to be often borrowed and transferred into new Christian holidays, resulting in celebrations that mixed Christian traditions with elements derived from pagan Midsummer festivities.


Stonehenge e a pedra do sacrifício, que dista um tanto do círculo/
Stonehenge with the Sacrifice Stone, at a certain distance from the circle

Havia refletores iluminando as pedras gigantescas, que pesam mais de cinquenta toneladas. Até hoje não se sabe como foram transportadas até ali e quem o fez. Na região não existe aquele tipo de rocha. A lua estava gorda, um queijo de Minas no céu. Havia banheiros e barracas vendendo comida e bebida, porém muito longe, por isso optei por ignorar a fome. Tinha levado uma mochila com uma muda de roupa, pulôveres que acabei vestindo um por cima do outro e uma manta, pois a noite foi fria apesar do calor humano. E minha câmera, de 4.0 megapixels, uma Canon PowerShot, amadora mas para a época isso era quase alta resolução! Por ter corrido na frente da multidão, tive o tempo justo de dar uma circulada em torno das pedras, pedir a uma senhora que tirasse uma foto minha no local (que ficou fora de foco) e subir na pedra que me pareceu melhor para uma visão panorâmica. A multidão tomou conta: uns fantasiados de anjo, rastafáris, gente comum vestindo jeans e camiseta, músicos com instrumentos normais e inusitados, malucos de todas as nacionalidades. Na minha pedra subiram umas meninas da Ilha de Mann, que também quero visitar na próxima oportunidade. No centro do círculo de pedras plantaram-se músicos com tambores, flautas, cordas, percussão, tocando alguma coisa que todo mundo tentava acompanhar. Ooooh, eeeeh, aaah, yeeeaaah, numa espécie de geração espontânea de mantras. Isso rolou a madrugada inteira.

Músico bem à vontade/ Musician comfortably sky-clad

 

Outros músicos/ Other musicians

De vez em quando se fazia um momento de silêncio, e num deles tive a idéia de soltar aquele grito de guerra de tribos indígenas batendo com a mão na boca: ohohohoh. Ninguém acompanhou, porque ninguém nunca tinha ouvido aquilo. As meninas de Mann olharam com admiração: “Cool!” Expliquei que era coisa de índio brasileiro, ensinei como fazia, elas acharam o máximo, imitaram, no fim parecíamos da mesma tribo. A madrugada passou depressa e logo o céu começou a clarear. Minha experiência mística ia começar.
Primeiro, do horizonte vieram as brumas, lentamente fazendo o resto do mundo desaparecer.


Do meio delas, surgiu uma procissão de druidas, com vestes brancas, carregando tochas e cajados. Cantando deram a volta ao círculo de pedras, uma, duas vezes, então se distanciaram até desaparecer. Não se misturaram à multidão. De longe, não entendi o que entoavam, nem minha lente os captou. Tive vontade de sair correndo atrás deles, mas não tinha certeza se eram reais. E todos queriam subir nas pedras.
Se eu descesse, não conseguiria voltar àquele lugar, quase em frente aonde o sol ia nascer. Optei por ficar ali e foi a escolha certa. As brumas começaram a se dissolver como os druidas, a planície foi reaparecendo em camadas, aos poucos, e no céu se materializaram dois parapentes sobrevoando Stonehenge em círculos quando surgiu o primeiro raio de sol. Foi pura magia! Um raio de luz quente rasgando o mundo cinza e vinte mil pessoas aplaudindo, cantando, se abraçando. Imaginei o que estavam vendo aqueles caras voando ali em cima, iluminados pelo sol de verão que nasceu lindo, laranja. Segundo as meninas, no ano anterior chovera a noite toda e o Solstício tinha sido tão nublado que nem deu para ver os primeiros raios, apenas uma luz difusa.

Primeiro raio de sol / first ray of sun

Na Inglaterra, mesmo no verão, o sol não era uma constante como para nós brasileiros. Tive o privilégio de assistir seu despertar em uma manhã azul clara, transparente, erguendo-se sobre as brumas de Wiltshire, trazendo a esperança do futuro – e no presente. Mentalizei aquela luz entrando pela pele, purificando meu sangue, correndo por dentro das veias, renovando corpo e alma. Parece meio bobo, coisa de CD de meditação, mas foi o que me ocorreu na hora e de fato me senti renascendo, como os antigos faziam. A BBC estava lá filmando e pude me achar depois em duas fotos no site deles. Apenas um átomo no meio da multidão, mas era eu. Baixei as fotos e as mandei por e-mail para o meu filho como prova de que estive lá.

Segundo os jornais, havia 20.000 pessoas no Solstício de Verão de 2005 em Stonehenge, Wiltshire. / According to the newspapers, there were 20.000 people in the Summer Solstice of 2005, in Stonehenge, Wiltshire.


Nessa celebração, descobri os ageless, nome que dei para pessoas que podiam ter qualquer idade: 40, 80 ou 200 anos. Ali estavam todos vestidos com roupas de época, tocando instrumentos que eu nunca tinha visto, cantando num idioma desconhecido – acho que gaélico. Todo mundo começou a dançar. Uma das ageless discursou por vinte minutos, mas não entendi nada. Apareceu um violinista louro igual ao elfo Legolas de O Senhor dos Anéis, de J. R. Tolkien. Fiquei bastante tempo dançando sob os primeiros raios de sol. Descasquei-me dos agasalhos, que guardei na mochila e saí andando, observando as pessoas absortas em suas viagens.

Ageless woman

Shiny happy people

 

Duas mulheres vestidas de druidas, com coroas de folhas, cajado e tudo, me deram a maior bronca porque corri atrás delas uns quinze minutos batendo fotos de vários ângulos.
Uma falava ao celular e parecia muito aborrecida. Virou-se e, depois de dizer algo que não entendi sobre seu casamento, perguntou rispidamente:
– Are you happy?
– Yes, I’m very happy! – respondi, porque estava mesmo radiante.
Nem percebi que talvez ela estivesse com algum problema em seu casamento, pois falava muito rápido, eu não prestara atenção em sua conversa ao telefone. Felizmente, ela não discutiu mais, apenas empinou o nariz, grunhiu, virou-se e saiu da minha vida. Ficou só nas fotos.

Eu chegando em Stonehenge, cerca de nove da noite, 20 de junho de 2005 / Me arriving in Stonehenge, around 9 p.m., June 20th 2005


Eram dez e vinte da manhã e, após horas esperando em vão minha mala surgir na esteira, me dirigi ao balcão da Air France, onde anotaram o endereço e juraram de pé junto que levariam a mala para mim, o que aconteceu mais tarde naquele dia. Liguei para meu amigo Fernando e, só depois que o telefone comeu duas preciosas moedas, entendi como operar e consegui completar a ligação. Ele não estava em casa, mas a chave me esperava debaixo de uma pedra, ao lado da porta. Não foi difícil localizar a passagem que conectava o aeroporto ao metrô. A essa altura, já estava babando com tudo o que via, apesar do contratempo da mala.
Desci do metrô em Waterloo, estação onde deveria pegar o trem na direção de Wimbledon. Um lugar lindo. O sol entrava pelas paredes envidraçadas banhando em luz os quiosques, a maioria de comidas e parecia tudo delicioso, por isso não comi nada, não consegui escolher. A multidão ia e vinha em todas as direções.
Cheguei dois dias antes do solstício de verão. Pessoas às pencas nas ruas já se amontoavam onde batesse o sol, pareciam brincar de frango assado. Um mês e meio depois começam as férias escolares e o Reino Unido vira um inferno. Os lugares enchem de famílias viajando, longas filas para tudo, albergues lotados, o que viria a atrapalhar meus planos.
Queria ver druidas, lugares mágicos, o Merlin em pessoa, caso ele se dispusesse a me encontrar. Eu aprendi que, se você não fez reservas, evite a temporada de férias local. Aprendi também que comprar passagens de ida e volta (“return ticket”) representa uma significativa economia, mas fica difícil alterar os planos. Se conhecer gente legal e quiser continuar com eles, é melhor estar livre. Na verdade, o ideal é alugar um carro, eu não o fiz por medo de causar acidentes, pois na Inglaterra se dirige na contramão. Não quis arriscar, depois me arrependi. Coisas de primeira viagem.

O Solstício de Verão acontece no dia 21 de junho, mas a festa começa no anoitecer do dia 20. Eu saí do Brasil no dia 17, e cheguei lá dia 18. Tinha pouco tempo para confraternizar com meu amigo e sua família. Dia 19 fui bater pernas em Camden Town e despenquei cedo para Victoria Station no dia 20. Não havia mais passagens diretas para Salisbury ou Amesbury, as cidades mais próximas de Stonehenge. Sendo assim, a moça no balcão do lastminute.com me embarcou para Bristol, garantindo que de lá conseguiria chegar ao meu destino, o que de fato aconteceu. Conheci no ônibus um casal que também ia para Stonehenge, assim fomos juntos. Em Salisbury (londrinos pronunciam “Sálsbri”, como Fernando me informara na véspera), fizemos compras no supermercado. Lá é como aqui: se você compra um produto com a marca do mercado é mais barato do que os similares, embora seja igual. Depois pegamos o ônibus  para Stonehenge, que então era gratuito. O casalzinho ia cantando algo que até hoje é um mantra para mim: “We all came from the Goddess/ and to the Goddess we’ll return”. Vinham do País de Gales e mencionaram uma aldeia onde os habitantes ainda viviam como na Idade Média. Quis anotar o nome do lugar, mas nos perdemos (ou eles fugiram de mim) ao chegarmos. Batemos fotos na frente do ônibus. Lamentavelmente, deletei a deles mais tarde, pois os cartões de memória de fotografia nesse tempo só armazenavam até 256 MB. Precisei apagar muitas fotos para bater outras durante a noite, pois só tinha dois cartões.
Stonehenge se localiza em Wiltshire, numa enorme planície coberta de pasto, cortada pela rodovia. O terreno em volta do círculo de pedras estava cercado e só abriram os portões por volta das dez da noite. Saí correndo e fui uma das primeiras pessoas a chegar às pedras.

I arrived in London 10:20 a.m. and, after hours waiting in vain for my suitcase, went to the Air France balcony, where they took note of my adress to deliver it, what came to happen indeed, later in the afternoon. I decided to call my friend Fernando, but the public telephone ate two of my precious coins before I understand how to complete the call. My friend wasn’t home but the keys were hidden in the yard waiting for me. So I found the corridor leading to the subway station, and went to Waterloo Station, where I was supposed to take the train for Wimbledon. Waterloo is a beautiful place, all glass windows where the morning sun found its way to bathe the kiosks of appetizing food and the crowd going to and fro. I ate nothing after all, it was hard to choose!
I arrived two days before Summer Solstice. All over the streets lots of people were sitting wherever the sun shone, turning like chicken roasting.
One month later the school holidays would start and the United Kingdon turn into hell. Everywhere long queues, full hostels, the streets crowded with families travelling. That would disturb my plans, because I had no bookings, only in Glastonbury.
Later I found out that buying return tickets was much cheaper, but makes it harder to change your plans if you, for instance, meet nice people and want to keep on with them. To go where I wanted, the best would be to rent a car, but I was afraid of causing an accident, because in England people drive in the contrary side.

Summer Solstice is June the 21th, but the celebration starts the 20th night. I arrived the 18th, so there was not much time to stay with my friends. The 19th I went for a walk in Camden Town and left early for Victoria Station the 20th. There were no tickets left to Salisbury or Amesbury, the cities closest to Stonehenge. But the girl in the Lastminute balcony put me in a coach to Bristol, assuring me that from there I could reach my destination, what was true. In the coach I made friends with a young welsh couple who was going there too. They sang a song which still is a mantra to me: “We all came from the Goddess and to the Goddess we’ll return”.
In Salisbury we went to Tesco buy some stuff before boarding the bus to Stonehenge, which was free. They told me about a place in Wales where people still live like in the Middle Age, but I lost them before I could write it down. We took photos of each other in front of the bus; sadly I had to erase theirs: the largest memory cards in that time could only keep 256MB. I had only two cards, and the whole night full of pictures to take.
Stonehenge stands in a massive grassy plain cut by the road. There was a fence around the stone circle. The gates were open around 10p.m.; I ran like the wind and was one of the first to reach the stones.


Abaixo: Slaughter Stone, local onde Arthur caiu mortalmente ferido. Em Tintagel, Cornwall, Inglaterra. As demais fotos foram batidas em Glastonbury, Somerset, Inglaterra.

Below: Slaughter Stone, where Arthur fell wounded to death. In Tintagel, Cornwall, England. The following photos were taken in Glastonbury, Somerset, England.

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Local onde os corpos de Arthur e Guinevere foram encontrados pelos monges :

Place where the monks found the bodies of Arthur and Guinevere :

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Local onde foi erigido o túmulo de Arthur na Abadia de Glastonbury; posteriormente destruído por invasões e guerras ( duas fotos, uma comigo e outra sem) :

Location of Arthur’s grave, built in Glastonbury abbey, later destroyed in invasions and wars (two photos, with and without me) :

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Avalon, o Monte Tor visto dos jardins da Abadia, com sol e com brumas:

Avalon, the Tor seen from the Abbey’s gardens, sunny and misty day:

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Vários caminhos levam à escadaria do Tor. Pessoas sobem e descem o tempo todo.

Many paths lead to Tor’s stairway. People go up and down all the time.

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No alto do Tor e o por do sol sobre Glastonbury, Somerset, Inglaterra.

Up the Tor, and the sunset over Glastonbury, Somerset, England.

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Tempos depois de ser coroado, Arthur se casou com Guinevere – ou Gwenwyfar, ou Gwenwyvar, em gaélico – filha de Leodegranz, senhor de uma província distante. Para buscá-la, às vésperas do casamento, Arthur envia uma escolta liderada por Lancelot, segundo a lenda, o melhor e mais belo de todos os cavaleiros (embora, provavelmente, também não tomasse banho). Lancelot e Guinevere se apaixonaram à primeira vista, mas ela era noiva de Arthur, e não podia recusar-se a se casar com o rei. Isso cria uma confusão danada. O autor Bernard Cornwell no livro “O Inimigo de Deus” trata do assunto de forma bem diferente. Em sua versão, Lancelot não era nada heróico; na verdade, tratava de fugir das lutas e depois pagava aos bardos para que cantassem feitos de bravura atribuídos a ele. Neste mesmo livro, Guinevere vence uma batalha para Arthur: no alto do monte Badon, onde os cavaleiros estavam sitiados, ela tem a ideia de atear fogo às carroças e jogá-las morro abaixo, dizimando o ataque inimigo com o fator surpresa e o poder das chamas. Já no filme “Rei Arthur”, de Antoine Fuqua, de 2004, com Keira Knightley e Clive Owen, Guinevere é apresentada como chefe de uma tribo de guerreiros selvagens, ferozes e exímios arqueiros.
Cada autor conta a história de um modo diferente, e foi justamente esse caleidoscópio que me fascinou. Em “As Brumas de Avalon”, a irmã de Arthur por parte de mãe, Morgana, sacerdotisa de Avalon, implica com Guinevere devido à religiosidade da moça, católica ao extremo. Identifiquei-me com Morgana por causa de Avalon, a ilha secreta, onde só iniciados podiam se aproximar, pois era preciso fazer uma invocação para surgir a barca que cruzaria as águas. Nessa ilha, ficava um santuário da antiga religião pagã professada pelos druidas e druidesas. Apenas as mulheres entravam nesse templo. Ali eram educadas para serem mais que druidesas: tornavam-se sacerdotisas. Seu treinamento não devia ser nada fácil, mas, após alguns anos, podiam caminhar sem fazer ruído. Podiam assumir uma aparência imponente ou assustadora, ou ainda passar despercebidas (a idéia de invisibilidade sempre me atraiu!); conheciam plantas e ervas para preparar remédios, pomadas e poções mágicas. As sacerdotisas entendiam a influência que os astros exerciam sobre os pobres mortais, e podiam ver o passado e o futuro. Isso sempre me pareceu fascinante, pois minha mãe costumava ter visões. Eu achava o máximo, também queria tê-las. Não posso reclamar: minha intuição funciona relativamente bem quando se trata de achar uma boa vaga para estacionar; quanto a ver espíritos ou receber mensagens… até hoje, eles me ignoram solenemente.
No fim da história, Arthur foi morto em uma batalha, por Mordred, seu próprio filho. Próximo a Tintagel, em Slaughterbridge (ponte sobre um pequeno riacho), há uma pedra com inscrições que atestam ser aquele o exato local onde o rei tombou. Todavia, seu túmulo oficial está na Abadia de Glastonbury, hoje em ruínas, preservadas pela English Heritage, instituição que cuida do patrimônio histórico britânico.

Some time after his coronation, Arthur married Guinevere – Gwenwyfar, or Gwenwyvar in gaelic – daughter of Leodegranz, lord of a distant region. To bring the bride in the eve of the ceremony, Arthur sends an escort leaded by Sir Lancelot, the best and most handsome of the knights, according to the legend… although he, too, probably didn’t bathe often. Lancelot and Guinevere fell in love at first sight, but as she was Arthur’s bride, and the stuff turned into a mess. She couldn’t refuse to marry the King. Love turned into curse.
The writer Bernard Cornwell, in his book “The Enemy of God”, shows another point of view on Lancelot: he was not a hero at all, just a coward noble who used to flee the battlefield and pay the bards to sing songs about his pretended bravery. In this same book he imputes to Guinevere the victory in the battle of Mount Badon, where Arthur’s knights were besieged by the saxons: it’s her idea to set fire to the carts and send them rolling down the hill, wiping the enemy out with the element of surprise and the power of the flames. In the movie “King Arthur”(2004, with Clive Owen and Keira Knightley) Guinevere is shown as the leader of a wild and fierce tribe of archers.
Each author presents a different tale, this living kaleidoscope was exactly what fascinated me. In “The Mists of Avalon”, Guinevere was a most pious girl, for that she earned a certain despise from Morgan (Arthur’s sister, Igraine’s daughter with the Duke of Gorlois, which was an Avalon priestess).
Avalon was a secret island where stood the ancient pagan Goddess Temple, which could only be reached by barge, and only the priestesses knew how to invoke the boatman. Only women and guests could enter this sacred place where the girls were educated and initiated in the Goddess’ misteries. They were trained to be not only druids, but priestesses. It was a hard work, but they learned herblore, music, to walk silent as a shadow, to assume any appearence ( majestic, frightening or even to go unnoticed – the invisibility power which has always appealed me) and to read the past and the future in the stars, fire or water. Reading “The Mists..” I felt immediately connected to Morgan. My mother used to have visions, and I always wanted the same to happen to me. I can’t complain so much: my intuition has always worked properly when it’s about finding a place to park my car. But the spirits and their messages have, so far, ignored me at all.
In the end of the tale, Arthur was killed in battle by his own son, Mordred. In Tintagel stands Slaughterbridge, the bridge over a tiny river where lays an old inscribed stone which is said to be the landmark of  Arthur’s fall. But his official tomb is located in Glastonbury Abbey, ruins that are nowadays a grade I listed building, and a Scheduled Ancient Monument open as a visitor attraction.


Avalon era uma ilha envolta em brumas, perto da Abadia de Glastonbury – daí esta cidade entrar na minha lista de lugares para serem conhecidos. No tempo do rei Arthur, o mar ficava pouco adiante. Na maré alta, o nível da água subia. Na maré baixa, o terreno ficava pantanoso, daí as brumas. Séculos de alterações climáticas e drenagens visando tornar aquela extensão de terra cultivável transformaram o terreno no lugar que é hoje a região de Somerset. O que era a Ilha de Avalon agora é apenas uma colina – o Monte Tor. Contudo, seu espírito ainda está lá, e jurei a mim mesma que haveria de pisar naquele solo sagrado.
Passei a procurar avidamente por livros sobre esse assunto. Quem nasceu na década de 60 não tinha computador, nem existia internet. Isso dificultava tudo. Em livrarias, apenas As Brumas tratavam da história de Arthur. Até que um dia caiu em minhas mãos The Crystal Cave, livro de bolso em inglês de autoria de Mary Stewart. Aliás, não um, mas quatro volumes contando a história a partir do ponto de vista de Merlin!
Existem controvérsias se Merlin era um determinado ser ou um título – o Merlin da Bretanha, o mais poderoso dos druidas, chefe dos demais. De toda forma, este personagem é associado pelos estudiosos ao País de Gales, onde se supõe que sua caverna esteja localizada – é a Crystal Cave do título do livro. Assim conheci novos personagens e mais luz foi lançada sobre outros. Foi um grande incentivo para desenvolver meu inglês, que não era tão mau.
Comecei a estudar Wicca (religião pagã ancestral, que tem paralelos com o druidismo) depois de ler A Cozinha da Bruxa, de Marcia Frazão, e aprendi sobre o ciclo das estações, foi assim que o sonho de presenciar o Solstício de Verão em Stonehenge veio à tona. Em 2005, trabalhava como freelancer, o que me dava certa liberdade. Sempre que ganhava algum dinheiro, comprava euros e libras. Certo dia, procurando na web, achei o site Isle of Avalon, de um pessoal justamente de Glastonbury. Pesquisando vi que ficava perto de Stonehenge, onde até hoje se comemora o Solstício de Verão. Rota traçada! Contatei um amigo que vive em Londres há anos; ele me garantiu uns dias de estadia. Ainda no site de Avalon, achei um ashram (comunidade que visa evolução espiritual), onde aceitavam hospedar voluntários. Fiz o contato por e-mail explicando que viria do Brasil e me propunha a pagar a estadia com trabalho, e alguém que assinava Ehlan respondeu. Achei que fosse uma mulher pelo nome, mas era um homem! Ele propôs uma data em que teriam vagas; como seria pouco depois do Solstício, aceitei.
Consegui a última passagem pelo preço de baixa estação na Air France, parcelada no cartão de crédito. Dois dias antes do Solstício. O passaporte já estava pronto havia mais de um ano. A primeira coisa que se faz quando se quer viajar é tirar um passaporte.
Desembarquei em Heathrow dia 18 de junho de 2005.

Avalon was an island amongst mists, near the Glastonbury Abbey; so this city entered my travel wish-list. In Arthurian times, the sea was just ahead. Flooded in the high tide, the terrain turned to a swamp in the low tide, what explains the mists. Centuries of climate changes and draining work to enable agriculture dried the land which is Somerset nowadays. Of the Isle of Avalon only a hill was left – The Mount Tor, but I knew its spirit lingered, so I swore I’d set my feet in that holy land.
I started looking for more books on the subject, unsuccessfully, until the day I found The Crystal Cave, of the english writer Mary Stewart. And it was not only one, but four books telling Arthur’s story from Merlin’s point of view.
There are controversies if Merlin was one person or a title – The Britain’s Merlin, the most powerful druid, chief to the others. Anyway, this character is related to Wales, where his cave was supposed to be located, the crystal cave of the title. This book threw light over some characters and introduced me to others in Arthur’s tale.
I started to study Wicca ( ancestral pagan religion, that holds resemblance to druidry) after reading The Witch’s Kitchen, written by Marcia Frazão, and learned about the wheel of the seasons. Then emerged my dream of going to Summer Solstice in Stonehenge. In 2005 I worked as freelance, what provided me some freedom. Everytime I could I set money apart to buy pounds and euros. And one day found in the web the site Isle of Avalon, from people in Glastonbury. After a bit of research, I realized the two places were a short run from each other. In the same site I found a hostel, actually an ashram where voluntaries were accepted, so I e-mailed them proposing to pay my lodging with work, and they had vacancies for a few days after the Solstice!
After set this up, I contacted a friend who has been living in London for years, who assured me I could stay with his family a few days. I got the last low-season ticket in Air France, to pay in my credicard in six parcels, and my passport was ready. First thing to do when you want to travel is have a valid  passport, I had seen to that one year before. So, the 18th June of 2005 I landed in Heatrow.


Todos os jovens desejavam se tornar cavaleiros. Arthur, tido como bastardo, tornou-se escudeiro de Kay, que pensava ser seu irmão mais velho.  O tempo passou e, quando Arthur tinha quinze anos, Sir Hector e Kay puseram-se em marcha para um torneio ao qual iriam todos os cavaleiros do reino, pois entre eles seria escolhido o sucessor de Uther, que não teve outros filhos. O território britânico continuava dividido em vários pequenos reinos – o feudalismo que estudamos nas aulas de História. Conta a lenda que a espada de Sir Kay desapareceu na hora do torneio. Arthur, então, saiu correndo para buscá-la. Talvez ele mesmo tivesse  esquecido de levá-la…  Mas no caminho perdeu-se na floresta, e deparou-se com uma pedra e uma bigorna onde estava cravada uma magnífica espada. Coisa digna de um rei. Em algumas versões existe apenas a pedra, sem bigorna (enorme bloco usado como ferramenta pelos ferreiros), mas  o disco de Rick Wakeman começa com o narrador lendo a frase gravada na pedra: “Who pulleth out this sword from the stone and anvil is the true born king of all Britain”, ou seja, “Aquele que tirar esta espada da pedra e da bigorna é o verdadeiro rei, por direito de nascença, de toda a Bretanha”.
Arthur não sabia ler – poucos além dos padres sabiam – mas viu aquela espada sem dono ou
propósito aparente, e resolveu levá-la para o irmão. Puxou a espada, que se desprendeu facilmente da
pedra, como se estivesse espetada em massa de modelar. Ninguém no torneio acreditou que o menino houvesse realizado tal feito. No entanto, Merlin surgiu e revelou a identidade secreta de Arthur, que acabou
reconhecido como rei, apesar da discordância dos nobres que cobiçavam o trono para si.

Every kid wanted to become a knight. Arthur, as a bastard, became a squire to his foster brother Kay.
Thus time went by and, when Arthur was fifteen, Sir Hector and Kay set their company in march to a tournament. Each and every knight of all realms was doing the same, because amongst them would be chosen King Uther’s sucessor, for he had no more sons with Igraine. British lands were still divided in lesser kingdoms – the feudalism we studied in History class. The tale tells that Kay’s sword disappeared when his time to joust was come, so Arthur hurried back to the camp to find it. Maybe he had forgotten it himself…
But Arthur, on his way, got lost in the forest and ran into a massive stone, with an anvil and a magnificent sword stuck in it. A sword fit for a king! Some authors only mention the stone, without anvil, but Rick Wakeman’s album starts with the  storyteller’s voice reading the words carved in the stone: “Who pulleth out this sword from the stone and anvil is the true born king of all Britain”.
Arthur couldn’t read – few people but the priests did – but saw that sword that seemed to belong to no one, in that weird place, and decided to take it to his brother. He easily pulled the sword free from the stone as if it was stuck in modeling clay. Back in the tournament, nobody believed that the boy had done that deed. Then Merlin appeared and revealed Arthur’s bloodline. He was crowned King in the end, despite many lords disagreed because they greeded the throne for themselves.