Avalon era uma ilha envolta em brumas, perto da Abadia de Glastonbury – daí esta cidade entrar na minha lista de lugares para serem conhecidos. No tempo do rei Arthur, o mar ficava pouco adiante. Na maré alta, o nível da água subia. Na maré baixa, o terreno ficava pantanoso, daí as brumas. Séculos de alterações climáticas e drenagens visando tornar aquela extensão de terra cultivável transformaram o terreno no lugar que é hoje a região de Somerset. O que era a Ilha de Avalon agora é apenas uma colina – o Monte Tor. Contudo, seu espírito ainda está lá, e jurei a mim mesma que haveria de pisar naquele solo sagrado.
Passei a procurar avidamente por livros sobre esse assunto. Quem nasceu na década de 60 não tinha computador, nem existia internet. Isso dificultava tudo. Em livrarias, apenas As Brumas tratavam da história de Arthur. Até que um dia caiu em minhas mãos The Crystal Cave, livro de bolso em inglês de autoria de Mary Stewart. Aliás, não um, mas quatro volumes contando a história a partir do ponto de vista de Merlin!
Existem controvérsias se Merlin era um determinado ser ou um título – o Merlin da Bretanha, o mais poderoso dos druidas, chefe dos demais. De toda forma, este personagem é associado pelos estudiosos ao País de Gales, onde se supõe que sua caverna esteja localizada – é a Crystal Cave do título do livro. Assim conheci novos personagens e mais luz foi lançada sobre outros. Foi um grande incentivo para desenvolver meu inglês, que não era tão mau.
Comecei a estudar Wicca (religião pagã ancestral, que tem paralelos com o druidismo) depois de ler A Cozinha da Bruxa, de Marcia Frazão, e aprendi sobre o ciclo das estações, foi assim que o sonho de presenciar o Solstício de Verão em Stonehenge veio à tona. Em 2005, trabalhava como freelancer, o que me dava certa liberdade. Sempre que ganhava algum dinheiro, comprava euros e libras. Certo dia, procurando na web, achei o site Isle of Avalon, de um pessoal justamente de Glastonbury. Pesquisando vi que ficava perto de Stonehenge, onde até hoje se comemora o Solstício de Verão. Rota traçada! Contatei um amigo que vive em Londres há anos; ele me garantiu uns dias de estadia. Ainda no site de Avalon, achei um ashram (comunidade que visa evolução espiritual), onde aceitavam hospedar voluntários. Fiz o contato por e-mail explicando que viria do Brasil e me propunha a pagar a estadia com trabalho, e alguém que assinava Ehlan respondeu. Achei que fosse uma mulher pelo nome, mas era um homem! Ele propôs uma data em que teriam vagas; como seria pouco depois do Solstício, aceitei.
Consegui a última passagem pelo preço de baixa estação na Air France, parcelada no cartão de crédito. Dois dias antes do Solstício. O passaporte já estava pronto havia mais de um ano. A primeira coisa que se faz quando se quer viajar é tirar um passaporte.
Desembarquei em Heathrow dia 18 de junho de 2005.
Avalon was an island amongst mists, near the Glastonbury Abbey; so this city entered my travel wish-list. In Arthurian times, the sea was just ahead. Flooded in the high tide, the terrain turned to a swamp in the low tide, what explains the mists. Centuries of climate changes and draining work to enable agriculture dried the land which is Somerset nowadays. Of the Isle of Avalon only a hill was left – The Mount Tor, but I knew its spirit lingered, so I swore I’d set my feet in that holy land.
I started looking for more books on the subject, unsuccessfully, until the day I found The Crystal Cave, of the english writer Mary Stewart. And it was not only one, but four books telling Arthur’s story from Merlin’s point of view.
There are controversies if Merlin was one person or a title – The Britain’s Merlin, the most powerful druid, chief to the others. Anyway, this character is related to Wales, where his cave was supposed to be located, the crystal cave of the title. This book threw light over some characters and introduced me to others in Arthur’s tale.
I started to study Wicca ( ancestral pagan religion, that holds resemblance to druidry) after reading The Witch’s Kitchen, written by Marcia Frazão, and learned about the wheel of the seasons. Then emerged my dream of going to Summer Solstice in Stonehenge. In 2005 I worked as freelance, what provided me some freedom. Everytime I could I set money apart to buy pounds and euros. And one day found in the web the site Isle of Avalon, from people in Glastonbury. After a bit of research, I realized the two places were a short run from each other. In the same site I found a hostel, actually an ashram where voluntaries were accepted, so I e-mailed them proposing to pay my lodging with work, and they had vacancies for a few days after the Solstice!
After set this up, I contacted a friend who has been living in London for years, who assured me I could stay with his family a few days. I got the last low-season ticket in Air France, to pay in my credicard in six parcels, and my passport was ready. First thing to do when you want to travel is have a valid passport, I had seen to that one year before. So, the 18th June of 2005 I landed in Heatrow.
Deixe um comentário