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Posts Tagged ‘junho de 2005’


Abbey Tea Rooms – 16 Magdalene Street – Phone: 01458 832852

Em 2010 retornei a Glasto e desta vez me hospedei bem no centro, em frente à Abadia. O Abbey Tea Room dispunha de quartos bem confortáveis com banheiro privativo, mas talvez seja uma atividade informal, pois hoje o site só anuncia restaurante, casa de chá e serviço de buffet. Sugiro aos interessados que perguntem se ainda funciona como bed&breakfast.

In 2010 I returned to Glasto and got a room in the center, in front of the Abbey. The Abbey Tea Room offered comfortable rooms with private bathroom, but maybe it’s informal because their site today only shows restaurant, tea room and catering services. Doesn’t mention B&B. I suggest you ask if there are still rooms available. In the link below, click in Accomodation to find assorted options from 20 pounds.

No link abaixo, sob a aba Accomodation, há opções variadas a partir de 20 libras por noite.

www.glastonbury.co.uk

Chegou ao Ashram uma holandesa chamada Selina, a caminho da Cornualha. Pretendia seguir toda a costa a pé, pois existe uma trilha apropriada que acompanha o mar. Ficamos amigas e pensei em me enturmar, pois queria ir a Tintagel, que fica nessa trilha, mas seria impossível percorrer tal caminho de cabrito: tinha levado a mala, já que ia ficar muitos dias… e quase nenhum dinheiro. Deixara a maior parte em Londres, e não sabia que meu amigo podia enviar algum por ordem de pagamento bancário.

I’ve got a new friend, Selina, a dutch girl who arrived in the Ashram on her way to Cornwall. She was going to walk the Coast Path there, and I thought about going with her, because the path crosses Tintagel, one of my target cities. But to walk miles in a rough and steep way was impossible carrying the suitcase. I had brought it because I was staying in the Ashram time enough to need my clothes and belongings. And I hadn’t brought what would be needed most: enough money. Most of my pounds were left in London and I wasn’t aware my friend there could send me some.

Selina in front of the Catholic church,
on the corner of Magdalene Street and St Mary’s Walk.

St Margaret’s Chapel, Magdalene Street, also known as Magdalene Chapel /
Capela de Santa Margaret, também conhecida como Capela de Madalena

Então andamos pela cidade, pelo jardim e ruínas da Glastonbury Abbey. Tive de correr atrás de um adaptador pois a bateria da câmera tinha descarregado e o encaixe das tomadas inglesas é diferente das nossas. Para não ficar na mão, recomendo levar um adaptador universal ou comprar um imediatamente após desembarcar. Felizmente, na única loja de artigos elétricos da cidade havia UM esperando por mim.

So we just walked the city, the Abbey ruins and gardens. I had to find an adaptor because my camera batteries were dead and english wall sockets are different of the brazilian. I strongly advice everyone to carry a universal adaptor, to avoid the trouble I had. Luckily, in the only electric supplies shop in town there was ONE, waiting for me!

Flood in Glastonbury Festival, 2005 – Photo by Andrew Kendall,
http://version2.andrewkendall.com/blog/2005/06/

Começou a chover tanto que desisti de ir ao festival. Pilton (cidade próxima a Glasto onde o festival acontece) virou um rio de lama. A água arrastou as barracas das pessoas com seus pertences dentro. O hóspede do ashram chegou todo enlameado, cabelo e tudo. Ehlan liberou que colocasse as roupas e mesmo as botas, tudo junto, na máquina de lavar roupa. Passei a lavar minhas roupas à mão, durante o banho. Não sabia se tinham higienizado a máquina na sequencia… Mas o festival foi alucinante. Assisti Keane, Coldplay, e outras bandas que nem conhecia bebendo pints (um pint é uma tulipa de meio litro de cerveja) em um pub onde a TV transmitia o festival. Quem não tinha ingresso, como eu, podia pagar vinte libras para um sujeito encostar uma escada na cerca do festival, subir e pular lá de cima. Com sorte, se não quebrasse nenhum osso e não fosse pega pela segurança, estaria dentro. Mas algo me disse que seria burrice me atirar no meio de uma enxurrada.

BBC photos of the flood in Glastonbury Festival 2005
http://news.bbc.co.uk/2/hi/in_pictures/4619449.stm

A heavy rain started so I gave up attending the festival: the place turned into a bog. Rain carried away people’s tents with their stuff inside. When the Ashram guest appeared, he was covered in mud from head to toes. Ehlan let him put his clothes – and his boots, altogether – in the machine to wash. After that I started washing my own in the shower. I doubted they had cleaned properly the machine… But the festival was magic. I watched Keane, Coldplay, and other bands, some new for me in a pub where the TV broadcasted the shows while I drank a pint.
Whoever didn’t have a ticket, like me, could pay 20 pounds to a dude to prop a ladder in the area fence, climb it and jump into the festival. With a little luck I could do it and break no bones or be caught by security. But something told me it was stupid to throw myself into a flood.

Além disso, eu não podia mesmo dispor das vinte libras (uns cem reais), então assisti o show no pub e foi muito bom. Considero que estive lá. Encontrei o americano que conhecera no Tor e acabamos fazendo um tour pelos pubs. Num deles havia uma banda de rock local tocando e meus pés assumiram o controle, ou o perderam. Saí dançando como se estivesse no festival. As pessoas se animaram, todo mundo começou a dançar também e a noite virou festa.

Besides, I didn’t have 20 pounds to spend, so I saw the concert in the TV and assumed I’ve been there. Later I came across the american guy I’ve met up the Tor and we went for a pub tour. We found a local rock band playing somewhere, and my feet took hold, or lost it. I started to dance madly as if we were in the real festival, and everybody cheered up, started dancing too, and the night turned into a party.

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Foto da BBC, solsticio de 2010. Numa pedra abaixo da primeira “mesa de pedra” à direita, tem um cara alto todo de branco ou creme; quase ao lado estou eu, alguém me emprestou um gorro de lã vermelho por isso parece que estou de peruca vermelha. Sou eu mesma!!!! Abaixo, na foto da BBC do Solstício de 2005, sou a primeira pessoa à direita, enrolada numa manta branca, com minha pequena câmera.

BBC photo of summer solstice 2010: In a stone next to the first “stone table” to the right, there’s a tall guy dressed in white or cream; I’m there almost by his side, wearing a red woolen hat that someone lent me. Looks like a red wig, but that’s really ME!! Below, a BBC photo of Summer Solstice 2005. It’s me the first one in the right, wrapped in a white blanket, with my small camera.

E aqui uma ilustração que mostra a rota das invasões na Inglaterra, quem eram e de onde vinham todos os povos que formaram o que hoje se chama Reino Unido. Arthur combateu os saxões, mas outros vieram depois.

And here a scheme of the invasion routes in England, who were and where did they come from, all people who melted together to become what is called nowadays the United Kingdom. Arthur fighted the saxons, but many other invaders came after that.

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Stonehenge e a pedra do sacrifício, que dista um tanto do círculo/
Stonehenge with the Sacrifice Stone, at a certain distance from the circle

Havia refletores iluminando as pedras gigantescas, que pesam mais de cinquenta toneladas. Até hoje não se sabe como foram transportadas até ali e quem o fez. Na região não existe aquele tipo de rocha. A lua estava gorda, um queijo de Minas no céu. Havia banheiros e barracas vendendo comida e bebida, porém muito longe, por isso optei por ignorar a fome. Tinha levado uma mochila com uma muda de roupa, pulôveres que acabei vestindo um por cima do outro e uma manta, pois a noite foi fria apesar do calor humano. E minha câmera, de 4.0 megapixels, uma Canon PowerShot, amadora mas para a época isso era quase alta resolução! Por ter corrido na frente da multidão, tive o tempo justo de dar uma circulada em torno das pedras, pedir a uma senhora que tirasse uma foto minha no local (que ficou fora de foco) e subir na pedra que me pareceu melhor para uma visão panorâmica. A multidão tomou conta: uns fantasiados de anjo, rastafáris, gente comum vestindo jeans e camiseta, músicos com instrumentos normais e inusitados, malucos de todas as nacionalidades. Na minha pedra subiram umas meninas da Ilha de Mann, que também quero visitar na próxima oportunidade. No centro do círculo de pedras plantaram-se músicos com tambores, flautas, cordas, percussão, tocando alguma coisa que todo mundo tentava acompanhar. Ooooh, eeeeh, aaah, yeeeaaah, numa espécie de geração espontânea de mantras. Isso rolou a madrugada inteira.

Músico bem à vontade/ Musician comfortably sky-clad

 

Outros músicos/ Other musicians

De vez em quando se fazia um momento de silêncio, e num deles tive a idéia de soltar aquele grito de guerra de tribos indígenas batendo com a mão na boca: ohohohoh. Ninguém acompanhou, porque ninguém nunca tinha ouvido aquilo. As meninas de Mann olharam com admiração: “Cool!” Expliquei que era coisa de índio brasileiro, ensinei como fazia, elas acharam o máximo, imitaram, no fim parecíamos da mesma tribo. A madrugada passou depressa e logo o céu começou a clarear. Minha experiência mística ia começar.
Primeiro, do horizonte vieram as brumas, lentamente fazendo o resto do mundo desaparecer.


Do meio delas, surgiu uma procissão de druidas, com vestes brancas, carregando tochas e cajados. Cantando deram a volta ao círculo de pedras, uma, duas vezes, então se distanciaram até desaparecer. Não se misturaram à multidão. De longe, não entendi o que entoavam, nem minha lente os captou. Tive vontade de sair correndo atrás deles, mas não tinha certeza se eram reais. E todos queriam subir nas pedras.
Se eu descesse, não conseguiria voltar àquele lugar, quase em frente aonde o sol ia nascer. Optei por ficar ali e foi a escolha certa. As brumas começaram a se dissolver como os druidas, a planície foi reaparecendo em camadas, aos poucos, e no céu se materializaram dois parapentes sobrevoando Stonehenge em círculos quando surgiu o primeiro raio de sol. Foi pura magia! Um raio de luz quente rasgando o mundo cinza e vinte mil pessoas aplaudindo, cantando, se abraçando. Imaginei o que estavam vendo aqueles caras voando ali em cima, iluminados pelo sol de verão que nasceu lindo, laranja. Segundo as meninas, no ano anterior chovera a noite toda e o Solstício tinha sido tão nublado que nem deu para ver os primeiros raios, apenas uma luz difusa.

Primeiro raio de sol / first ray of sun

Na Inglaterra, mesmo no verão, o sol não era uma constante como para nós brasileiros. Tive o privilégio de assistir seu despertar em uma manhã azul clara, transparente, erguendo-se sobre as brumas de Wiltshire, trazendo a esperança do futuro – e no presente. Mentalizei aquela luz entrando pela pele, purificando meu sangue, correndo por dentro das veias, renovando corpo e alma. Parece meio bobo, coisa de CD de meditação, mas foi o que me ocorreu na hora e de fato me senti renascendo, como os antigos faziam. A BBC estava lá filmando e pude me achar depois em duas fotos no site deles. Apenas um átomo no meio da multidão, mas era eu. Baixei as fotos e as mandei por e-mail para o meu filho como prova de que estive lá.

Segundo os jornais, havia 20.000 pessoas no Solstício de Verão de 2005 em Stonehenge, Wiltshire. / According to the newspapers, there were 20.000 people in the Summer Solstice of 2005, in Stonehenge, Wiltshire.


Nessa celebração, descobri os ageless, nome que dei para pessoas que podiam ter qualquer idade: 40, 80 ou 200 anos. Ali estavam todos vestidos com roupas de época, tocando instrumentos que eu nunca tinha visto, cantando num idioma desconhecido – acho que gaélico. Todo mundo começou a dançar. Uma das ageless discursou por vinte minutos, mas não entendi nada. Apareceu um violinista louro igual ao elfo Legolas de O Senhor dos Anéis, de J. R. Tolkien. Fiquei bastante tempo dançando sob os primeiros raios de sol. Descasquei-me dos agasalhos, que guardei na mochila e saí andando, observando as pessoas absortas em suas viagens.

Ageless woman

Shiny happy people

 

Duas mulheres vestidas de druidas, com coroas de folhas, cajado e tudo, me deram a maior bronca porque corri atrás delas uns quinze minutos batendo fotos de vários ângulos.
Uma falava ao celular e parecia muito aborrecida. Virou-se e, depois de dizer algo que não entendi sobre seu casamento, perguntou rispidamente:
– Are you happy?
– Yes, I’m very happy! – respondi, porque estava mesmo radiante.
Nem percebi que talvez ela estivesse com algum problema em seu casamento, pois falava muito rápido, eu não prestara atenção em sua conversa ao telefone. Felizmente, ela não discutiu mais, apenas empinou o nariz, grunhiu, virou-se e saiu da minha vida. Ficou só nas fotos.

Eu chegando em Stonehenge, cerca de nove da noite, 20 de junho de 2005 / Me arriving in Stonehenge, around 9 p.m., June 20th 2005

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