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Archive for maio \28\America/Sao_Paulo 2012


Antes de prosseguir, uma dica que ia me esquecendo. Em Salisbury, a um quarteirão da estação de trem, existe um pub chamado The Cat Tavern onde você pode deixar sua bagagem guardada por 2 libras cada volume. Não é exatamente barato mas pode ser útil.

Before I go on, a tip I almost forgot: in Salisbury, one block away from the train station, there’s this pub The Cat tavern where you can leave your luggage kept for 2 pounds each bag. Not so cheap but can be useful.

O ônibus veio cheio de mochileiros, era a semana do lendário festival de rock que acontece de dois em dois anos. Um deles ia se hospedar no mesmo ashram que eu. Quando chegamos, as pessoas estavam justamente falando sobre o festival com o Ehlan,dono do estabelecimento; a sócia estava fora, fazendo uma vivência de vidas passadas ou viagem astral, não lembro bem. Ele era magrelo, a pele amarelada e tossia muito. Calculei que era ou viria a ser tuberculoso. Apesar do frio britânico eles eram vegan – só comiam alimentos crus, nem tinha fogão na cozinha, apenas um ebulidor de imersão para ferver água para o chá. Usei muito o utensílio para fazer miojo e sopa de saquinho que, prudentemente, levei do Brasil. Os hóspedes eram todos ingleses.

The bus to Glasto was full of backpackers, it was the week of the legendary rock festival. One of them was going to the same ashram where I had booked my stay. When we got there, a group of hosts was just talking about the festival with Ehlan, the owner. His partner was out in a workshop of past lives or astral travel, I don’t quite remember. Ehlan was extremely thin, his skin was yellow and he had a bad cough. I took for granted that he had or would soon be a victim of tuberculosis. Despite the british cold they were vegan – ate only raw food. In the kitchen there was no stove, only a electric gadget to boil water for the tea. It was very useful to me those days, because I had taken from Brazil a few envelopes of soup and noodles, which saved my life in the cold nights. The guests were all british.

Pela janela do ônibus, chegando a Glasto, primeira visão do Tor. First glance of the Tor, from the bus window

O mochileiro parecia meio sem graça, pois as pessoas estavam criticando o festival, que segundo eles perturbava o equilíbrio ecológico.
Lembrei-me imediatamente do encontro anual de motos Harley-Davidson em Penedo. Durante o ano inteiro, comerciantes e empresários reclamavam do movimento fraco; quando chegava o encontro da Harley, os hotéis e restaurantes ficavam lotados, as lojinhas vendiam artesanato aos montes. era de se supor que ficassem satisfeitos. Não! Reclamavam mais ainda! Do barulho, da agitação, da sujeira, dos maconheiros e pinguços – como se não existissem no resto do ano. Os motoqueiros deixavam muito dinheiro na cidade e mesmo assim tinha gente fazendo abaixo assinado para proibir o evento. Fiz essa observação, e os rostos todos se voltaram para me encarar como se eu fosse um ET. O Ehlan me encaminhou para o meu quarto, ou melhor, para a cama que me cabia em um quarto de seis pessoas, e sugeriu que eu fosse passear e começasse o trabalho só no dia seguinte.

The backpacker was a bit abashed because everybody was criticizing the festival, which, according to them, disturbed the ecologic balance. I remembered immediately of the annual Harley Davidson meeting in Penedo. All the year long, shopkeepers and hotel owners complained of the feeble business. The bikers left a lot of money in town. Full hotels and restaurants, the shops sold lots of souvenirs, and the businessmen complained more than ever! Of the noise, turmoil, garbage, of the drunks and pot heads… as if none of these existed the rest of the year.
When I said that all the eyes turned to me as if I was an ET. Ehlan called me to see my room – my bed actually, in a room of six – and suggested I should go for a walk, what I promptly did, keeping my backpack under the bed.

Algumas fotos da cidade. Some photos of the city

Igreja de São João Batista na rua principal – High St.
Church of St John the Baptist on High St.

Praça no centro da cidade/ Square in town centre

Glastonbury me pareceu uma Visconde de Mauá britânica, cheia de gente alternativa nas ruas. / Glasto reminded me of Visconde de Mauá, a brazilian city full of alternative people.

O Ashram onde me hospedei. Estas rodas de prece contém orações em sânscrito; a idéia é dar um empurrão em cada um para que girem, liberando as orações ao vento para que se espalhem pelo mundo. / The Ashram has these massive prating wheels by the gate with sanscrit inscriptions. People are supposed to push them in order to release the prayers free in the wind, to be spread in the world.

Era tudo o que eu queria. Larguei a mochila debaixo da cama e fui do jeito que estava, apenas vesti uma jaqueta jeans sobre o vestido – afinal, era um espetacular dia de verão. Segui o caminho que o Ehlan me apontou para chegar ao Monte Tor, uma trilha de terra que subia entre tufos de floresta, pasto e uns poucos portões de casas. Quando achei que estava perdida, avistei a torre no alto do Tor.

I was wearing a light dress and a jeans jacket, what seemed suitable for such a beautiful summer day. Ehlan pointed me the pathway to the Tor, to the right of the ashram. It coiled through trees, grass and a few house gates. When I thought myself lost, I caught sight of the tower on top of Tor.

Glastonbury Tor

Esta torre é o que sobrou de uma construção monástica, mas o local é associado a um antigo templo pré-histórico, posteriormente ocupado pelos romanos segundo vestígios arqueológicos. Segundo As Brumas, ali se localizava o templo das sacerdotisas de Avalon. Resolvi pular a cerca e cortar caminho pelo pasto, porém vi bois de cara amarrada vindo na minha direção, com velocidade meio anormal. Corri de volta para a trilha original – felizmente, não rasguei o vestido no arame farpado. Pouco depois, estava bem em frente aos degraus que levam ao monumento. Comecei a subir e, ao ver aquela torre cada vez mais perto, minha garganta foi apertando. Estava chegando ao alto do Tor.

The tower is all that remains of a monastic building, but the place is related to a pre-historical temple which the Romans occupied, according to archaeological researches. The Mists of Avalon states that there was located the priestesses’ temple. I jumped over a fence for a shortcut, but oxen came in my direction with a unfriendly look and unnatural speed, so I ran back to the original path. Fortunately my dress was not ripped in the barbed wire. In a few minutes I reached the stairway (to heaven, could be) and started to climb. To see the tower approaching made my throat tighten. I was almost on the top of the Tor.

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Como viajei com pouco dinheiro, não entrei muito em museus, nem mesmo o do uísque, em Edinburgh, que era carésimo. Apenas os gratuitos, como a fantástica galeria Tate Modern, em Londres. Lá é bom ficar de olho nos horários para aproveitar as visitas guiadas.

I travelled very short of money, so I couldn’t visit many museums (not even the Whisky Museum in Edimburgh!) Only the free exhibitions, like the fabulous Tate Modern Gallery in London, where you want to keep an eye in the schedule of free guided tours.

Saída da Tate Modern/ Tate Modern Exit hall

Estudantes de arte copiam obras de arte na galeria / Art students copy masterpieces in the gallery

Além do acervo, há sempre exposições paralelas como esta de luminárias muito loucas. / Besides the collection, there are always side exhibitions like this one of exquisite lamps.

Fachada da galeria / front of the gallery

Mas tive lances de sorte espetaculares no que se refere à gratuidade, como achar um bilhete de metrô em cima de um telefone público na Victoria Station, e o guarda me deixar entrar em um show do Keane, que mal tinha começado, no Hyde Park. Pareceu sensibilizado quando eu disse que vinha do Brasil. Pediu o ingresso, que custava quinze libras, e respondi honestamente que achava que ali era a fila da bilheteria. Na entrada do parque, havia alguns cambistas. Vi garotos comprando ingressos com eles e juro que tentei comprar um, mas o cambista me olhou de alto a baixo, olhou para o colega, olhou para mim de novo e não vendeu o ticket. Orientou-me a entrar na tal fila. O guarda também perguntou se eu estava com o grupo dos garotos. Quando respondi que estava sozinha, me mandou seguir em frente, a bilheteria estaria “à minha esquerda”. No entanto, quando saí do outro lado, já estava praticamente em frente ao palco!

Concerning free stuff, I had flashes of tremendous luck. I found on top of a public phone, in Victoria Station, a valid subway ticket. The policeman let me in the Keane concert in Hyde Park. Outside the park there were dealers selling tickets for 15 pounds. A groups of guys bought theirs, but when I came close the dealer asked if I was with the group. I answered “no, I’m brazilian, and I’m alone”. The man took a look at me and sent me forward, to join a queue (“you’ll buy it cheaper in the office”) and at the end there was this policeman, who asked for my ticket. I told him I thought that queue was to buy the ticket. He also asked if I was with those guys, and maybe he was touched because I was brazilian. “Go ahead, the ticket office will be at your left”, he said, but when I got there I noticed I was almost in front of the stage.

Keane concert in Hyde Park

Achei este video e creio que era exatamente o show que vi. I believe this was the exact show.

Keane concert in Hyde Park, summer/2005

Em um evento chamado Highland Games, na Escócia, havia um buraco na cerca, uns moleques estavam brincando de passar de um lado para o outro, fiquei olhando e um me viu. Aí fez um sinal para que eu o seguisse! Obediente, fui atrás dele – o ingresso custava cinco libras! E no restaurante do castelo de Edinburgh, onde havia uma confusão de filas: demorei a fazer meu prato, me enrolei com as opções e só depois de ter achado uma mesa, sentado, comido e deixado a bandeja no lugar devido, percebi que tinha passado direto pelo caixa e estava em frente à saída, onde não havia ninguém pedindo a comanda paga.

I was lucky as well when I went to the Highland Games in Scotland. I met some kids who were playing around a hole in the fence; one of them saw me and made a gesture for me to follow him, so I obeyed and crossed the fence after them. Five pounds saved!
In the crowded self service restaurant, in Edimburgh Castle, I took some time to choose my food, amongst a turmoil of lines… but after having found a table, seated, eaten and left the empty tray in the proper place, I saw myself in the exit, where nobody was checking the paid bills. I had missed the checkout.

Arremesso de martelo nos Highland Games. Ao fundo dá pra ver a cerca, de lona parda. Hammer throwing in Highland Games. The beige-brown tarpaulin you can see in the background is the fence.

O cara que conheci na rodoviária de Salisbury não teve sorte como eu. Foi preso no Solstício por beber e fazer arruaça. Seus colegas foram embora e o deixaram lá, em cana. Foi solto de manhã, mas não tinha um tostão e sua passagem ficara no bolso de um dos “amigos”. Quem mandou aprontar em uma festa sagrada, pensei. Mas tive pena dele. Dividimos meus últimos cigarros e umas pastilhas de hortelã, enquanto meu ônibus não vinha.
De volta a Londres, tomei um bom banho, contei minhas aventuras enquanto saboreava um delicioso jantar de verdade feito pelo chef Nando Cuca, e depois caí na cama. Tinha dois dias até embarcar para Glastonbury e nem um minuto a perder. Minha irmã me presenteara com trinta dólares, resolvi trocá-los por libras e fiquei sabendo que o melhor lugar para trocar dinheiro na Inglaterra é o Royal Mail, o popular correio, que tem agências por toda a parte e faz o melhor câmbio.
The dude I knew in Salisbury Bus Station was not as lucky as me. He had been arrested for drunk and disorderly in the Solstice celebration. His pals who had his return ticket left him behind, in jail, so now he was alone without a penny.  “Serves him right for being such a jackass, kicking up a fuss in a sacred party”, I thought. But I felt pity and shared with him my last cigarretes and mints, before boarding my coach. Back in London, after the best shower of my life, it was a pleasure to have dinner with my friends. Nando Cuca is a food blogger and the best chef ever, he cooked a perfect meal while I reported my adventure. Then, like a stone I slept. There were only two days left to enjoy London before the next journey, to Glastonbury. No time to lose! My sister had given me 30 US dollars which I exchanged for pounds in the Royal Mail, that pays the best rate in UK.

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E veio a noite mais curta do ano. Mágica. Sem comentários.
Then came the shortest night of the year. Magic. No further comments.

De fato, poucas horas depois começou a clarear. Os mesmos ageless de cinco anos atrás repetiram sua performance enquanto a multidão aguardava o primeiro raio de sol. Novamente, foi um amanhecer brilhante após anos de tempo ruim, conforme reportado pela BBC. Palmas para minha estrela!
Indeed, a few hours later it was dawn. The same ageless performed their roles while the crowd awaited the first sunlight. Again it was a bright sunrise after years of bad weather, according to BBC. Applause to my fortune star.

Depois de dançar um tanto ao som dos tambores e instrumentos esquisitos, algumas pessoas foram tomar sol sobre um mound (túmulo em forma de montinho) , existem quatro em volta do círculo de pedras, um de um lado e três do outro. Há quem diga que um desses mounds é o túmulo verdadeiro de Arthur.

After some dancing to the sound of drums and weird instruments, some people went sunbathe in a mound nearby. There are four close to the stone circle: one to one side and three to the other. Some say Arthur was actually buried in one of these.

A conversa estava boa o bastante para perdermos a hora do último ônibus de volta, ou seja, caminhar até Amesbury, a cidade mais próxima, onde todos chegaram sujos, cansados e famintos. E radiantes.

 Talk was so good that we lost track of time and the return bus, what made us walk our way to Amesbury, the nearest city, where everyone arrived dirty, starving and tired. And shining.

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O objetivo desta foto é mostrar o tamanho da área de apoio, comparada com o círculo de pedras em si, no fundo à esquerda. Aqui ficavam ambulâncias, posto policial e de atendimento médico, imprensa, caminhões de equipamentos tipo iluminação, banheiros químicos etc.
This picture is to show how big is the support area, compared to the stone circle itself (in the background to the left). Here were ambulances, medical assistance, police, press, chemical toilets and tons of trucks of stuff, lights for example.

Atendendo a pedidos, aqui vão fotos batidas 5 anos depois das anteriores, no Solsticio de Verão de 2010. Desta vez, com uma câmera decente e duas boas lentes, mais muitos giga de memória, pude registrar mais coisas. Me pareceu ter mais gente também, embora a BBC tenha contabilizado 20.000 pessoas, o mesmo número de 2005. Segundo a reportagem, foi o ano mais tranquilo da celebração. Apenas 34 ocorrências de pessoas detidas por uso/porte de drogas leves e meros bebuns.Devo acrescentar que um destes era amigo meu, mas foi rapidamente liberado sem maiores traumas, só o susto.

Granting my readers’ wishes, I publish photos taken 5 years after the previous posted. This time I had a proper camera, two good lenses and tons of memory, so I was able to register more stuff. I believe there were more people, although the BBC estimated 20.000 revellers, just like in 2005. According to the press, this was one of the safest issue of the celebration in many years. Only 34 people were arrested for minor drug offences. I should add that one of these was a friend of mine, but he was quickly released with no injuries but a strong fright.

As pessoas estavam muito mais produzidas. Múltiplas tribos, e quantidade de grupos espirituais distintos em perfeita harmonia.
Most people were dressed up to the event. Assorted folk and distinguished spiritual groups in perfect harmony.

Indefectível foto em frente ao ônibus, que não é mais gratuito; custava 8 libras ida e volta. My photo in front of the bus, which is not free anymore: 8 pounds (return).

Este ano apareceu a estátua gigante de um ídolo feio pra caramba, na certa trazido por algum grupo espiritual, mas ninguém soube me dizer do que se tratava.
There was this massive disgusting idol, probably brought by some spiritual group, but nobody could tell me what it was about.

Estas fotos foram batidas entre dez e meia/ onze da noite. A lua quase cheia já se apresentava, seguiu-se o por do sol. Aguardem o próximo post, com as melhores fotos, este já está travando.
These photos were taken around 10:30 / 11 p.m. The almost full moon was already there, followed by sunset. Wait for the next post, with the best photos, this one is already heavy.

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Para tornar este blog mais interessante, me diga se você prefere que o próximo post prossiga o relato da viagem ou se antes disso devo publicar as fotos do Solsticio de Verão de 2010 para comparar. Não esqueça de preencher seu nome, e-mail e website, se tiver. Obrigada pela participação!

To make this blog more interesting, tell me if you’d like the next post to resume the narrative of the journey (option 1 in the drop down box below) or if I should, before that, publish the photos of the Summer Solstice 2010 to compare (option 2). Please don’t forget to fill in your name, e-mail and website in the form below.Thanks for your help!

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Atenção
Atenção
Atenção
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Atenção

Atenção!

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Salisbury Cathedral

Eu ainda cantava “We all came from the Goddess and to the Goddess we’ll return”, agradecendo às divindades, no coração de Stonehenge. Só fui embora horas depois porque estava desesperada para ir ao banheiro. Fui me afastando do monumento, achando que iria encontrar uma moita no caminho, mas só tinha grama e um intenso tráfego de gente indo e voltando. Stonehenge fica no meio de um descampado. Nem cogitei usar um banheiro químico dos tantos instalados, achei que estaria imundo como os daqui no carnaval. Deveria ter testado, mas ainda não estava acostumada à realidade desses países onde não se vê lixo algum no chão. Uma japonesa passou por mim e disse que eu devia ficar para me abastecer com a energia dos monólitos, mas minha bexiga, mais que abastecida, estava abarrotada, quase transbordando. Assim, embarquei num dos ônibus gratuitos de volta a Salisbury e fui trocando as pernas até um restaurante que estava justamente abrindo as portas. No banheiro de mármore reluzente, lavei o rosto, as mãos e me penteei, depois de levar um susto com a imagem refletida no espelho. Desgrenhada, mas feliz da vida.
Andei pela cidade fotografando, cheguei à enorme catedral, principal atração turística da cidade. Era preciso pagar para visitar o interior e o tesouro. Minhas preciosas libras teriam de ser o ingresso ou o almoço. Faminta, optei pelo segundo, um sanduíche frio desses prontos e embalados que lá vendem em quase todas as rodoviárias e são bons!

Incluo neste post algumas fotos de Salisbury.

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I was still singing “We all came from the Goddess and to the Goddess we’ll return”, thanking all deities, in the heart of Stonehenge. I only left hours later when a desperate need of a lavatory took  hold of me, but Stonehenge stands in a massive plane covered only by grass and there was a heavy traffic of people coming and going. I never considered using one of the many chemical toilets believing it should be as filthy as the ones installed in Rio de Janeiro’s streets after a Carnival night. I should have tried it, but wasn’t still used to the reality of that country inhabited by civilized people who don’t throw a piece of paper in the street. A japanese woman who was passing by me told me to stay to charge myself of the energy that poured from the stones, but my bladder was more than loaded, almost overflowing indeed. So I stepped into one of the free coaches back to Salisbury, where I found an open restaurant, with a beautiful restroom of shining marble where I washed my hands and combed my hair. My own image in the mirror was a shock, disheveled and dirty but oh, so happy. I walked the streets taking a few pictures with the little memory and charge left in the camera, and entered the massive Salisbury Cathedral, where one can walk the gardens and cloister but to take the “Tower Tour” in the interior the charge is 10 pounds. I had this exact amount and, starving, chose buying a sandwich for lunch instead. In every bus station there are very good ones, cold, packed and ready to go.

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Este dragão é o mascote da cidade. /This dragon is the city’s symbol

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Solstício é um acontecimento astronômico que ocorre duas vezes por ano, quando o sol atinge sua elevação máxima no céu em relação ao Polo Norte ou Sul. A palavra slstício vem do latim sol (sol) e sistere (parar), pois é o momento em que o movimento do sol em sua rota, visto da Terra, parece parar antes de inverter a direção (de um polo a outro). O dia do Solstício é o mais longo do ano no verão e o mais curto no inverno, pois o tempo entre o nascente e o poente é o máximo, ou mínimo, dependendo do hemisfério, pois as estações do ano são opostas no Norte e no Sul. Assim, o solstício de verão no Hemisfério Norte é o de inverno no Hemisfério Sul e vice-versa.
Já o Equinócio , cujo nome vem do latim aequus (igual) e nox (noite) ,ocorre quando o Sol leva o mesmo tempo entre o nascente e o poente, assim o dia e a noite tem aproximadamente a mesma duração.
Solstícios e Equinócios tem relação com as estações do ano, geralmente determinando seu momento central. Na Inglaterra o período próximo ao Solstício de verão é chamado Midsummer (meio do verão), e Midsummer’s Day é 24 de junho, três dias após o solstício propriamente dito. Muitas culturas celebram os solstícios de inverno, de verão, os equinócios e os momentos entre os mesmos, originando diversas festas relacionados a essas datas. Em tempos ancestrais, a rotina dos povos (plantação, colheita, etc) era determinada pelas estações do ano. Os astros, a terra, os rios, as árvores, enfim todos os elementos da natureza eram considerados divindades e devidamente reverenciados nesses festivais.
À medida que o Cristianismo avançou sobre o mundo, essas celebrações foram repaginadas resultando em festividades que misturaram elementos das tradições cristãs e pagãs.

A solstice is an astronomical event that happens twice each year when the sun reaches its highest position in the sky as seen from the North or South Pole. The word solstice is derived from the Latin sol (sun) and sistere (to stand still), because at the solstices, the sun stands still in declination; that is, the seasonal movement of the sun’s path (as seen from Earth) comes to a stop before reversing direction. The day of the solstice is either the “longest day of the year” (in summer) or the “shortest day of the year” (in winter)  because the length of time between sunrise and sunset on that day is the yearly maximum or minimum for that place.
On a day of the equinox, the center of the sun spends a roughly equal amount of time above and below the horizon, night and day being of roughly the same length. The word equinox derives from the Latin words aequus (equal) and nox (night).
The solstices, together with the equinoxes, are connected with the seasons. Mostly they are considered to be centre points. In England, for example, the period around the northern solstice is known as Midsummer, and Midsummer’s Day is 24 June, about three days after the solstice itself. Many cultures celebrate the winter and summer solstices, the equinoxes, and the midpoints between them, leading to various holidays arising around these events. In ancient times, the seasons determined people’s routines ( to sow, to harvest, etc). The earth, the rivers, the stars, the trees, every nature element was regarded as sacred, and properly paid homage in these festivals. As Christianity spread over pagan areas, ancient celebrations came to be often borrowed and transferred into new Christian holidays, resulting in celebrations that mixed Christian traditions with elements derived from pagan Midsummer festivities.

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Stonehenge e a pedra do sacrifício, que dista um tanto do círculo/
Stonehenge with the Sacrifice Stone, at a certain distance from the circle

Havia refletores iluminando as pedras gigantescas, que pesam mais de cinquenta toneladas. Até hoje não se sabe como foram transportadas até ali e quem o fez. Na região não existe aquele tipo de rocha. A lua estava gorda, um queijo de Minas no céu. Havia banheiros e barracas vendendo comida e bebida, porém muito longe, por isso optei por ignorar a fome. Tinha levado uma mochila com uma muda de roupa, pulôveres que acabei vestindo um por cima do outro e uma manta, pois a noite foi fria apesar do calor humano. E minha câmera, de 4.0 megapixels, uma Canon PowerShot, amadora mas para a época isso era quase alta resolução! Por ter corrido na frente da multidão, tive o tempo justo de dar uma circulada em torno das pedras, pedir a uma senhora que tirasse uma foto minha no local (que ficou fora de foco) e subir na pedra que me pareceu melhor para uma visão panorâmica. A multidão tomou conta: uns fantasiados de anjo, rastafáris, gente comum vestindo jeans e camiseta, músicos com instrumentos normais e inusitados, malucos de todas as nacionalidades. Na minha pedra subiram umas meninas da Ilha de Mann, que também quero visitar na próxima oportunidade. No centro do círculo de pedras plantaram-se músicos com tambores, flautas, cordas, percussão, tocando alguma coisa que todo mundo tentava acompanhar. Ooooh, eeeeh, aaah, yeeeaaah, numa espécie de geração espontânea de mantras. Isso rolou a madrugada inteira.

Músico bem à vontade/ Musician comfortably sky-clad

 

Outros músicos/ Other musicians

De vez em quando se fazia um momento de silêncio, e num deles tive a idéia de soltar aquele grito de guerra de tribos indígenas batendo com a mão na boca: ohohohoh. Ninguém acompanhou, porque ninguém nunca tinha ouvido aquilo. As meninas de Mann olharam com admiração: “Cool!” Expliquei que era coisa de índio brasileiro, ensinei como fazia, elas acharam o máximo, imitaram, no fim parecíamos da mesma tribo. A madrugada passou depressa e logo o céu começou a clarear. Minha experiência mística ia começar.
Primeiro, do horizonte vieram as brumas, lentamente fazendo o resto do mundo desaparecer.


Do meio delas, surgiu uma procissão de druidas, com vestes brancas, carregando tochas e cajados. Cantando deram a volta ao círculo de pedras, uma, duas vezes, então se distanciaram até desaparecer. Não se misturaram à multidão. De longe, não entendi o que entoavam, nem minha lente os captou. Tive vontade de sair correndo atrás deles, mas não tinha certeza se eram reais. E todos queriam subir nas pedras.
Se eu descesse, não conseguiria voltar àquele lugar, quase em frente aonde o sol ia nascer. Optei por ficar ali e foi a escolha certa. As brumas começaram a se dissolver como os druidas, a planície foi reaparecendo em camadas, aos poucos, e no céu se materializaram dois parapentes sobrevoando Stonehenge em círculos quando surgiu o primeiro raio de sol. Foi pura magia! Um raio de luz quente rasgando o mundo cinza e vinte mil pessoas aplaudindo, cantando, se abraçando. Imaginei o que estavam vendo aqueles caras voando ali em cima, iluminados pelo sol de verão que nasceu lindo, laranja. Segundo as meninas, no ano anterior chovera a noite toda e o Solstício tinha sido tão nublado que nem deu para ver os primeiros raios, apenas uma luz difusa.

Primeiro raio de sol / first ray of sun

Na Inglaterra, mesmo no verão, o sol não era uma constante como para nós brasileiros. Tive o privilégio de assistir seu despertar em uma manhã azul clara, transparente, erguendo-se sobre as brumas de Wiltshire, trazendo a esperança do futuro – e no presente. Mentalizei aquela luz entrando pela pele, purificando meu sangue, correndo por dentro das veias, renovando corpo e alma. Parece meio bobo, coisa de CD de meditação, mas foi o que me ocorreu na hora e de fato me senti renascendo, como os antigos faziam. A BBC estava lá filmando e pude me achar depois em duas fotos no site deles. Apenas um átomo no meio da multidão, mas era eu. Baixei as fotos e as mandei por e-mail para o meu filho como prova de que estive lá.

Segundo os jornais, havia 20.000 pessoas no Solstício de Verão de 2005 em Stonehenge, Wiltshire. / According to the newspapers, there were 20.000 people in the Summer Solstice of 2005, in Stonehenge, Wiltshire.


Nessa celebração, descobri os ageless, nome que dei para pessoas que podiam ter qualquer idade: 40, 80 ou 200 anos. Ali estavam todos vestidos com roupas de época, tocando instrumentos que eu nunca tinha visto, cantando num idioma desconhecido – acho que gaélico. Todo mundo começou a dançar. Uma das ageless discursou por vinte minutos, mas não entendi nada. Apareceu um violinista louro igual ao elfo Legolas de O Senhor dos Anéis, de J. R. Tolkien. Fiquei bastante tempo dançando sob os primeiros raios de sol. Descasquei-me dos agasalhos, que guardei na mochila e saí andando, observando as pessoas absortas em suas viagens.

Ageless woman

Shiny happy people

 

Duas mulheres vestidas de druidas, com coroas de folhas, cajado e tudo, me deram a maior bronca porque corri atrás delas uns quinze minutos batendo fotos de vários ângulos.
Uma falava ao celular e parecia muito aborrecida. Virou-se e, depois de dizer algo que não entendi sobre seu casamento, perguntou rispidamente:
– Are you happy?
– Yes, I’m very happy! – respondi, porque estava mesmo radiante.
Nem percebi que talvez ela estivesse com algum problema em seu casamento, pois falava muito rápido, eu não prestara atenção em sua conversa ao telefone. Felizmente, ela não discutiu mais, apenas empinou o nariz, grunhiu, virou-se e saiu da minha vida. Ficou só nas fotos.

Eu chegando em Stonehenge, cerca de nove da noite, 20 de junho de 2005 / Me arriving in Stonehenge, around 9 p.m., June 20th 2005

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Eram dez e vinte da manhã e, após horas esperando em vão minha mala surgir na esteira, me dirigi ao balcão da Air France, onde anotaram o endereço e juraram de pé junto que levariam a mala para mim, o que aconteceu mais tarde naquele dia. Liguei para meu amigo Fernando e, só depois que o telefone comeu duas preciosas moedas, entendi como operar e consegui completar a ligação. Ele não estava em casa, mas a chave me esperava debaixo de uma pedra, ao lado da porta. Não foi difícil localizar a passagem que conectava o aeroporto ao metrô. A essa altura, já estava babando com tudo o que via, apesar do contratempo da mala.
Desci do metrô em Waterloo, estação onde deveria pegar o trem na direção de Wimbledon. Um lugar lindo. O sol entrava pelas paredes envidraçadas banhando em luz os quiosques, a maioria de comidas e parecia tudo delicioso, por isso não comi nada, não consegui escolher. A multidão ia e vinha em todas as direções.
Cheguei dois dias antes do solstício de verão. Pessoas às pencas nas ruas já se amontoavam onde batesse o sol, pareciam brincar de frango assado. Um mês e meio depois começam as férias escolares e o Reino Unido vira um inferno. Os lugares enchem de famílias viajando, longas filas para tudo, albergues lotados, o que viria a atrapalhar meus planos.
Queria ver druidas, lugares mágicos, o Merlin em pessoa, caso ele se dispusesse a me encontrar. Eu aprendi que, se você não fez reservas, evite a temporada de férias local. Aprendi também que comprar passagens de ida e volta (“return ticket”) representa uma significativa economia, mas fica difícil alterar os planos. Se conhecer gente legal e quiser continuar com eles, é melhor estar livre. Na verdade, o ideal é alugar um carro, eu não o fiz por medo de causar acidentes, pois na Inglaterra se dirige na contramão. Não quis arriscar, depois me arrependi. Coisas de primeira viagem.

O Solstício de Verão acontece no dia 21 de junho, mas a festa começa no anoitecer do dia 20. Eu saí do Brasil no dia 17, e cheguei lá dia 18. Tinha pouco tempo para confraternizar com meu amigo e sua família. Dia 19 fui bater pernas em Camden Town e despenquei cedo para Victoria Station no dia 20. Não havia mais passagens diretas para Salisbury ou Amesbury, as cidades mais próximas de Stonehenge. Sendo assim, a moça no balcão do lastminute.com me embarcou para Bristol, garantindo que de lá conseguiria chegar ao meu destino, o que de fato aconteceu. Conheci no ônibus um casal que também ia para Stonehenge, assim fomos juntos. Em Salisbury (londrinos pronunciam “Sálsbri”, como Fernando me informara na véspera), fizemos compras no supermercado. Lá é como aqui: se você compra um produto com a marca do mercado é mais barato do que os similares, embora seja igual. Depois pegamos o ônibus  para Stonehenge, que então era gratuito. O casalzinho ia cantando algo que até hoje é um mantra para mim: “We all came from the Goddess/ and to the Goddess we’ll return”. Vinham do País de Gales e mencionaram uma aldeia onde os habitantes ainda viviam como na Idade Média. Quis anotar o nome do lugar, mas nos perdemos (ou eles fugiram de mim) ao chegarmos. Batemos fotos na frente do ônibus. Lamentavelmente, deletei a deles mais tarde, pois os cartões de memória de fotografia nesse tempo só armazenavam até 256 MB. Precisei apagar muitas fotos para bater outras durante a noite, pois só tinha dois cartões.
Stonehenge se localiza em Wiltshire, numa enorme planície coberta de pasto, cortada pela rodovia. O terreno em volta do círculo de pedras estava cercado e só abriram os portões por volta das dez da noite. Saí correndo e fui uma das primeiras pessoas a chegar às pedras.

I arrived in London 10:20 a.m. and, after hours waiting in vain for my suitcase, went to the Air France balcony, where they took note of my adress to deliver it, what came to happen indeed, later in the afternoon. I decided to call my friend Fernando, but the public telephone ate two of my precious coins before I understand how to complete the call. My friend wasn’t home but the keys were hidden in the yard waiting for me. So I found the corridor leading to the subway station, and went to Waterloo Station, where I was supposed to take the train for Wimbledon. Waterloo is a beautiful place, all glass windows where the morning sun found its way to bathe the kiosks of appetizing food and the crowd going to and fro. I ate nothing after all, it was hard to choose!
I arrived two days before Summer Solstice. All over the streets lots of people were sitting wherever the sun shone, turning like chicken roasting.
One month later the school holidays would start and the United Kingdon turn into hell. Everywhere long queues, full hostels, the streets crowded with families travelling. That would disturb my plans, because I had no bookings, only in Glastonbury.
Later I found out that buying return tickets was much cheaper, but makes it harder to change your plans if you, for instance, meet nice people and want to keep on with them. To go where I wanted, the best would be to rent a car, but I was afraid of causing an accident, because in England people drive in the contrary side.

Summer Solstice is June the 21th, but the celebration starts the 20th night. I arrived the 18th, so there was not much time to stay with my friends. The 19th I went for a walk in Camden Town and left early for Victoria Station the 20th. There were no tickets left to Salisbury or Amesbury, the cities closest to Stonehenge. But the girl in the Lastminute balcony put me in a coach to Bristol, assuring me that from there I could reach my destination, what was true. In the coach I made friends with a young welsh couple who was going there too. They sang a song which still is a mantra to me: “We all came from the Goddess and to the Goddess we’ll return”.
In Salisbury we went to Tesco buy some stuff before boarding the bus to Stonehenge, which was free. They told me about a place in Wales where people still live like in the Middle Age, but I lost them before I could write it down. We took photos of each other in front of the bus; sadly I had to erase theirs: the largest memory cards in that time could only keep 256MB. I had only two cards, and the whole night full of pictures to take.
Stonehenge stands in a massive grassy plain cut by the road. There was a fence around the stone circle. The gates were open around 10p.m.; I ran like the wind and was one of the first to reach the stones.

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