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Posts Tagged ‘inscribed stone’


Men-An-Tôl e ao longe a mina de carvão / The old coal mine in the distance

Men-An-Tôl e ao longe a mina de carvão / The old coal mine in the distance

O Cornish Tea realmente estava delicioso. Os pãezinhos derretiam na boca e o creme fresco parecia nuvem posta na tigela. Chá preto inglês, quentinho. Refeita, fui fazer a trilha indicada no guia da professora alemã, passando por Mên-an-Tol ( um monumento neolítico), Mên Scryfa ( a pedra inscrita) e as Nine Maidens (círculo de pedras).

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Mên-an-Tol é um conjunto de três pedras, sendo a central igual a uma roda. O nome significa justamente “pedra com buraco” no dialeto antigo da Cornualha. De cada lado, uma pedra pontuda, parecendo formar o numero 101 em pé. Essas pedras em forma de roda são raras e relacionadas a antigos rituais de cura: em noites de lua cheia, mães passavam seus filhos despidos nove vezes pelo buraco para curá-los de raquitismo. Enfim, para chegar lá, anda-se um pouco a
partir do ponto do ônibus na estrada. É caminhada, quase sem subida; levei uns vinte minutos. Tive uma surpresa, pois pensava que Mên-an-Tol era monumental e, na verdade, as pedras tinham pouco mais de um metro de altura. Procurei fotografar de vários ângulos e, por fim, armei o disparador
automático para fazer minha própria foto atravessando a rocha perfurada.  Após filosofar e fazer orações levantei-me e continuei seguindo a trilha.

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Eu lá / Me, there

Um quilômetro à frente, erguia-se a “pedra inscrita”. Mên Scryfa sinaliza o túmulo de um rei guerreiro que morreu tentando recuperar seu território de invasores no século V “Rialobrani Cunovali Fili” ou “Royal Raven Glorious Prince” – o glorioso príncipe Corvo Real. A pedra tem nove pés, a exata altura do guerreiro, que pode ser associado a Bran, o Abençoado, do Mabinogiun (folclore galês), um gigante e rei cuja história se assemelha à do Rei Pescador, o guardião do Graal na lenda arturiana. Eu não estava tão perdida, afinal. Prossegui para ver o círculo de pedras e passou por mim um casal alemão ou nórdico que estava acampado em um trailer no estacionamento junto à estrada – pareciam Helga e Hagar, o Horrível. Tentei conversar, mas eles – especialmente Helga – não pareciam muito dispostos. Respondiam com grunhidos. Iam para Bodmin, mas não me senti à vontade para pedir carona. Ia mesmo ficar apertado no carro, tendo em vista o diâmetro dos dois. Cheguei a dizer que queria ir para Bodmin, mas não houve resposta.

A pedra com inscrições / The inscribed stone

A pedra com inscrições / The inscribed stone

As Nove Moças, embora se veja dez pedras / The Nine Maidens, although there are ten stones to be seen

As Nove Moças, embora se veja dez pedras /
The Nine Maidens, although there are ten stones to be seen

Então continuei fotografando as pedras. Pensei em montar as diversas imagens como polaróides em sequência; me distraí e perdi os alemães de vista. Eles partiriam cedo na manhã seguinte para conhecer um sítio arqueológico, próximo justamente do Dozmary Pool. Emburrei comigo mesma por não ter insistido, oferecendo para dividir o combustível, mas era tarde demais. Voltei à estrada para pegar o ônibus de volta, mas este tinha acabado de passar. O próximo viria em uma hora… na direção contrária. Então, eu tinha duas horas inteiras para ficar pastando na beira da estrada. Veio à minha mente a música do Pink Floyd, “Shine on You Crazy Diamond”: nobody knows where you are, how near or how far.

A antiga mina de carvão / Old coal mine

A antiga mina de carvão / Old coal mine

Paisagem / Landscape

Paisagem / Landscape

Eu estava fora há quase dois meses. Saí do Brasil crente que iria viver aventuras emocionantes, fazer centenas de amizades, conversar com todas as pessoas e, de repente, parecia que muito pouca gente estava a fim de conversar comigo. Minhas libras estavam se esgotando e me atormentava a frustração por não ter chegado ao Dozmary Pool. Senti saudade de casa, da minha filha. Layla tinha nove anos. Havia uma cabine de telefone perto do ponto do ônibus e resolvi ligar pra casa. Já sabia ligar a cobrar. A própria filhota atendeu! Falei com ela e chorei de saudade, mas disfarcei dizendo que estava gripada. Percebi que era hora de trilhar o caminho de volta. Aquela noite, no pub, pedi o salmão com creme azedo e legumes, perfeito, delicioso. Comi tudo, raspei o prato. Voltaria a Londres no dia seguinte, e de trem, pois já estava tendo pesadelos com os ônibus ingleses que levavam horas para passar.

As lindas cores da vegetação de Cornwall /Beautiful Cornish colors

As lindas cores da vegetação de Cornwall /
Beautiful Cornish colors

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